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Federação Espírita de Mato Grosso do Sul

Estudo continuado do Livro Dos Espíritos


ESTUDO SOBRE A QUESTÃO Nº 43

 

Questão nº 43.

Quando a Terra começou a ser povoada?

Resposta

No começo tudo era caos; os elementos estavam confundidos. Pouco a pouco cada coisa tomou o seu lugar. Apareceram então os seres vivos apropriados ao estado do globo.

***

O primeiro aspecto a ser observado na presente questão é que a pergunta, quanto ao povoamento da Terra, é de cunho temporal, mas os Espíritos, tal qual ocorreu na pergunta n. 42, não se atreveram a dar uma resposta de ordem matemática, porque “só o Criador o sabe”. Ao dizerem “no começo tudo era caos”, os Espíritos remetem Kardec para um desvão do tempo, para o recôndito onde dormia o início das coisas.

Isso não significa que a Ciência esteja interdita de dar sua opinião com base nos elementos de que dispõe, que não deva construir teorias, as quais, muito embora dignas de todo respeito, nem sempre são exatas ou estão de acordo com a realidade.

Cumpre, todavia, lembrar que nesta questão o povoamento mencionado pelo digno Codificador refere-se à vida no seu estado primitivo, tanto que está encartada no subtítulo “formação dos seres vivos”, até porque o povoamento da Terra pelo homem (princípio inteligente individualizado) será tratado na questão nº 48 e 50 em diante.

A primeira grande dificuldade dos pesquisadores, ao tratar deste assunto, repousa no fato de que qualquer discussão sobre a origem da vida precisa de uma definição do que é vida, o que não é nada fácil, pois a vida não é da alçada do paradigma materialista:

“Vida é uma dessas coisas mais fáceis de se identificar do que de se definir. Por incrível que pareça, não existe uma definição de vida universalmente aceita pelos cientistas. Portanto, o que se faz é criar uma definição operacional, que funciona dentro de certos limites.”[1]

Kardec, em sintonia com o espírito científico de sua época, não se furtou de emitir uma tese a respeito de “como” apareceram os seres vivos na Terra, sem, entretanto, apresentá-la como final e definitiva:

 “Formação primária [primitiva] dos seres vivos.

1. - Tempo houve em que não existiam animais; logo, eles tiveram começo. Cada espécie foi aparecendo, à proporção que o globo adquiria as condições necessárias à existência delas. Isto é positivo. Como se formaram os primeiros indivíduos de cada espécie? Compreende-se que, existindo um primeiro casal, os indivíduos se multiplicaram. Mas, esse primeiro casal, donde saiu? É um desses mistérios que entendem com o princípio das coisas e sobre os quais apenas se podem formular hipóteses. A Ciência ainda não pode resolver o problema; pode entretanto, pelo menos, encaminhá-lo para a solução.

2. - É esta a questão primordial que se apresenta: cada espécie animal saiu de um casal primitivoou de muitos casais criados, ou, se o preferirem, germinados simultaneamente em diversos lugares?

Esta última suposição é a mais provável. Pode-se mesmo dizer que ressalta da observação. Com efeito, o estudo das camadas geológicas atesta, nos terrenos de idêntica formação, e em proporções enormes, a presença das mesmas espécies em pontos do globo muito afastados uns dos outros. Essa multiplicação tão generalizada e, de certo modo, contemporânea, fora impossível com um único tipo primitivo.

Doutro lado, a vida de um indivíduo, sobretudo de um indivíduo nascente, está sujeita a tantas vicissitudes, que toda uma criação poderia ficar comprometida, sem a pluralidade dos tipos, o que implicaria uma imprevidência inadmissível da parte do Criador supremo. Aliás, se, num ponto, um tipo se pode formar, em muitos outros pontos ele se poderia formar igualmente, por efeito da mesma causa.Tudo, pois, concorre a provar que houve criação simultânea e múltipla dos primeiros casais de cada espécie animal e vegetal.”[2]

Na atualidade, os cientistas humanos continuam especulando sobre o modo, a época e o local do aparecimento do homem na Terra, sem precisar exatamente como, quando e onde isso se deu:

“A origem da vida sobre a Terra permanece presa em incertezas obscuras. Nossa ignorância sobre os primórdios da vida provém em grande parte do fato de que, quaisquer que tenham sido os eventos que fizeram a matéria inanimada adquirir vida, eles ocorreram há bilhões de anos e não deixaram vestígios definitivos. Para tempos mais remotos do que 4 bilhões de anos, não existe o registro fóssil e geológico da história da Terra. Mas o intervalo na história do sistema solar ente 4,6 e 4 bilhões de anos atrás – os primeiros 600 milhões de anos depois que o Sol e seus planetas se formaram – inclui a era em que a maioria dos paleobiólogos, especialistas em reconstruir a vida que existia durante épocas há muito desaparecidas, acredita que a vida apareceu pela primeira vez em nosso planeta.”[3]

O estudo sobre a origem da vida é algo profundamente estimulante para os cientistas. Buscar essas mesmas raízes sob as luzes do conhecimento espírita é uma atividade mais fascinante ainda, o que inspira uma certa nostalgia, pois nos aproxima do Criador, dando-nos a sensação de familiaridade com nosso passado remoto, como uma espécie de exercício de autoconhecimento.

 


[1] GLEISER, Marcelo. Criação imperfeita: Cosmo, vida e o código oculto da natureza. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2010. Cap. 40, p. 242.

[2] KARDEC, Allan. A gênese. 34. ed. Cap. X. Gênese orgânica. Rio de Janeiro: FEB, 1991, pág. 190-191.

[3]TYSON, Neil deGrasse e GOLDSMITH, Donald. Origens: Catorze bilhões de anos de evolução cósmica. Trad. Rosaura Eichenberg. Cap. 15. A origem da vida sobre a Terra. São Paulo: Planeta, 2015, p. 248.



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