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Federação Espírita de Mato Grosso do Sul

Estudo continuado do Livro Dos Espíritos


ESTUDO SOBRE A QUESTÃO Nº 45

Questão nº 45.

Onde estavam os elementos orgânicos, antes da formação da Terra?

Resposta

"Achavam-se, por assim dizer, em estado de fluido no espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, esperando a formação da Terra para começarem uma nova existência em um novo globo."

NOTA DE KARDEC:

A Química nos mostra as moléculas dos corpos inorgânicos unindo-se para formarem cristais de uma regularidade constante, conforme cada espécie, desde que se encontrem nas condições desejadas. A menor perturbação nestas condições é suficiente para impedir a reunião dos elementos, ou, pelo menos, para se opor à disposição regular que constitui o cristal. Por que não se daria o mesmo com os elementos orgânicos? Conservamos durante anos germens de plantas e de animais, que só se desenvolvem a uma certa temperatura e em meio apropriado. Têm-se visto grãos de trigo germinarem depois de vários séculos. Há, pois, nesses germens, um princípio latente de vitalidade que apenas espera uma circunstância favorável para se desenvolver. O que se passa sob nossos olhos não pode ter existido desde a origem do globo? Essa formação de seres vivos, saindo do caos pela própria força da Natureza, diminui em alguma coisa a grandeza de Deus? Longe disso: corresponde melhor à ideia que fazemos do seu poder, a se exercer sobre mundos infinitos por meio de leis eternas. Esta teoria não resolve, é verdade, a questão da origem dos elementos vitais; mas Deus tem seus mistérios e pôs limites às nossas investigações. (Grifo no original).

***

A questão n. 45, a respeito da localização ou procedência dos elementos orgânicos, antes da formação da Terra, é uma sequência da pergunta anterior (de onde vieram os seres vivos para a Terra), sobre a formação e o aparecimento dos seres vivos no planeta.

Se, na questão n. 44, os Espíritos responderam que a Terra continha os germens dos seres vivos, por consequência lógica, Kardec quis saber onde estavam os elementos orgânicos, isto é, os germens ou elementos constituintes dos seres vivos,[1] antes da formação da Terra. A origem dos seres vivos ainda é um mistério para a Ciência, que, embora não tenha resposta definitiva para essa questão, formula hipóteses a respeito, como visto em perguntas anteriores.

A etimologia da palavra "orgânico" remete a "organos", relacionada com a vida, a órgãos, ao que está organizado, em oposição ao inorgânico que teria o significado de tudo que carece de vida. No tempo de Kardec, ainda prevalecia, em boa medida, a doutrina vitalista, que teve grande influência entre metade do Século XVIII e metade do Século XIX, tese retomada da Antiguidade por cientistas europeus, época em que se defendia a ideia de que os fenômenos relativos aos seres vivos (evolução, reprodução e desenvolvimento) seriam controlados por um impulso vital de natureza imaterial, diferente das forças físicas.

Com o passar do tempo, influenciados pelos avanços da Química e da Biologia, os cientistas passaram a adotar a nomenclatura “elemento orgânico” para os compostos de carbono em contraposição a “inorgânico”, isto é, os compostos de qualquer elemento, exceto o de carbono:

 

[...] no ano de 1770, o químico sueco Torbern Bergman definiu que os compostos orgânicos eram aqueles que poderiam ser obtidos a partir de organismos vivos, enquanto os compostos inorgânicos eram as substâncias originadas da matéria não viva. Nesse mesmo período, o químico Antonie Laurent Lavoisier conseguiu estudar muitos desses compostos orgânicos e verificou que todos continham o elemento carbono.

    Já no início do século XIX, Jöns Jakob Berzelius propôs que somente os seres vivos eram capazes de produzir os compostos orgânicos, ou seja, que tais substâncias jamais poderiam ser obtidas artificialmente (sintetizadas). Essa ideia ficou conhecida, então, como a teoria da força vital.

    Porém, no ano de 1828, o químico Friedrich Wöhler conseguiu obter a ureia, um composto orgânico presente na urina dos animais, a partir do cianeto de amônio, uma substância mineral [...]

 Depois da síntese de Wöhler, vários outros compostos orgânicos foram sintetizados e, então, os cientistas passaram a crer que qualquer substância química poderia ser obtida de forma artificial. Assim, a teoria da força vital caiu por terra definitivamente, e os compostos orgânicos passaram a ser definidos como os compostos do elemento carbono.

    No entanto, sabemos que existem alguns compostos inorgânicos que também apresentam carbono em sua composição, como, por exemplo, o diamante, o grafite, os carbonatos e o monóxido de carbono. Baseando-se nisso, chegamos à atual definição de composto orgânico: Compostos orgânicos são os compostos do elemento carbono com propriedades características.[2] (Destaques do original).

 

Foi assim que “o Vitalismo cedeu lugar a uma outra interpretação inteiramente materialista e mecanicista, a qual procura reduzir toda a fenomenologia biológica a processos exclusivamente físico-químicos e fisiológicos”, como se o homem e os outros animais fossem “predominantemente encarado[s] como uma máquina de estímulos e respostas”.[3] Essa maneira de explicar os fenômenos da vida recebe, na atualidade, o nome de “reducionismo”.

Na Codificação, os Espíritos, independentemente da composição química dos corpos, conservaram a conceituação de que os seres orgânicos são aqueles que têm em si uma fonte de atividade íntima, a que chamamos de vida. Nesta classe, estão os homens, os animais e as plantas. Já os seres inorgânicos são todos os que não dispõem de vitalidade ou vida, de movimentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria, como os minerais, a água, o ar etc.

Aos que preferem refutar tal ideia, adotando a teoria reducionista ou materialista, continua válida a advertência dos Espíritos e de Kardec:

 

19. Não pode o homem, pelas investigações científicas, penetrar alguns dos segredos da Natureza?

“A Ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todas as coisas, mas ele não pode ultrapasssar os limites fixados por Deus.”

NOTA DE KARDEC: Quanto mais é concedido ao homem penetrar nesses mistérios, tanto maior deve ser a sua admiração pelo poder e sabedoria do Criador. Mas, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o faz, muitas vezes, joguete da ilusão. Ele amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades repeliu como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.[4]

 

Tornaremos a esse tema mais adiante, no capítulo IV, a partir da questão n. 60, que aborda especificamente o princípio vital.

Curiosa, também, é a assertiva dos Espíritos à resposta da questão n. 45, de que, além de os elementos orgânicos serem achados em estado de fluido no espaço, encontravam-se “no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, esperando a formação da Terra para começarem uma nova existência em um novo globo”.

O que significaria essa afirmação? Deduzimos que os professores do Espaço estão reiterando o que foi dito na questão n. 21, de que “Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo”; na questão n. 39, de que “os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada no espaço”, isto é, que o Fluido Cósmico Universal, que é a fonte de todos os fluidos, inclusive dos elementos orgânicos, está em todo lugar; estão prenunciando o que será dito na questão n. 70, de que “a matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos”, que por sua vez formarão novos mundos; na questão n. 80, de que “Deus jamais deixou de criar”, portanto, que continua criando; e, finalmente, que os Espíritos (com “E” maiúsculo, isto é, o princípio inteligente individualizado), a partir de uma dado momento que desconhecemos, atua como cocriador, coparticipe do ato majestoso do desenvolvimento dessa Criação.

Bem por isso, ao tratar da origem dos seres vivos na Terra, a codificação kardequiana fornece uma indicação interessante sobre a origem dos elementos orgânicos antes da formação do planeta:

 

14. – As diferentes combinações dos elementos para formação das substâncias minerais, vegetais e animais, não podem, pois, operar-se, a não ser nos meios e em circunstâncias propícias; fora dessas circunstâncias, os princípios elementares estão numa espécie de inércia. (...) É assim que a vegetação se ativa, enfraquece, para e prossegue, sob a ação do calor, da luz, da umidade, do frio ou da seca; que esta planta prospera, num clima ou num terreno, e se estiola ou perece noutros.

15. – O que diariamente se passa às nossas vistas pode colocar-nos na pista do que se passou na origem dos tempos, porquanto as leis da Natureza não variam.[5] (Destaquei).

 

Consequentemente, reveste-se de lógica consistente a resposta dos Espíritos de que os elementos orgânicos ou vitais já existiam, antes da formação da Terra, em gérmen e em estado de fluido no espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros Planetas, à espera da formação da Terra para começarem uma nova existência em um novo globo, circunstâncias determinantes para o surgimento dos seres vivos.

 Ao criar o universo pela ação lenta e gradual das leis da natureza, Deus não se faz menor ou menos poderoso. Tudo começa pequeno para um dia se tornar grande, o que nos remete à inevitável conclusão de que há um Poder Supremo que planejou a Criação nos seus mínimos detalhes, planejamento esse que continua em curso e que, paulatinamente, vai nos fornecendo boas e grandes surpresas, à medida que trabalhamos e aprofundamos os estudos dessas leis.

 

[1] KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano 10, p. 518,  dez. 1867. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. Algumas palavras à Revista Espírita. Pelo Jornal L’Exposition Populaire Illustrée.

[2] Disponível em < http://sucatas.com/portal/reciclagem/mat_didatico_view/323-Composto-Organico-e-Composto-Inorganico-0>. Acesso em 23.7.2016.

[3] ANDRADE, Hernani Guimarães. Morte, renascimento, evolução: uma biologia transcendental, 1. ed. Votuporanga-SP: Didier, 2003, pág. 54.

[4] KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 1. ed. Comemorativa do Sesquicentenário. Rio de Janeiro: FEB, 2006, questão n. 19.

[5] KARDEC, Allan. A gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 34. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1991. Cap. X, itens 14 e 15, págs. 196-197.



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