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Federação Espírita de Mato Grosso do Sul

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A Festa Real de Jesus
por Suely Caldas Schubert / Carlos Augusto Abranches

Feliz Natal!

O Natal se aproxima. Bem antes do tempo as vitrines enfeitadas convidam as pessoas a se lembrarem da época dos presentes.

Nessa fase de aguda crise é preciso recordar mais vivamente que o Natal está chegando e é necessário provar aos parentes e amigos que pensamos neles.

Feliz Natal! Para muitos, esta pequena frase não se realiza tão facilmente quanto é pronunciada.

Cercado de presentes, diante de iguarias, o ser humano não está feliz. Nele, vai uma emoção tocada de incompletude, como se algo ou alguém estivesse faltando.

Lá fora, na noite, noutras casas onde a luz escasseia e a mesa é pobre, também se ouve: Feliz Natal!

Lá e aqui a noite feliz parece não significar quase nada, a não ser o estranho paradoxo de se ter que aparentar felicidade porque assim é estabelecido. Afinal, o que se está comemorando?

Um repórter, em movimentada avenida, perguntando aos transeuntes, que saem das lojas com embrulhos e sacolas, o que se comemora no dia 25 de dezembro, possivelmente obtivesse respostas variadas e entre estas alguém se lembrasse de dizer que é a data do nascimento de Jesus.

Mas, por mais que se procure o aniversariante, Ele não é encontrado. Não há qualquer sinal nas ruas e nas lojas.

 

*

 

A exata compreensão do Natal sugere uma averiguação histórica quanto à data do nascimento de Jesus. Os pesquisadores não são unânimes em afirmar que ocorreu em dezembro, porque, na história do Cristianismo primitivo, os primeiros cristãos não tinham o hábito de celebrar o Natal, por considerarem a comemoração um costume pagão.

As primeiras observações acerca do nascimento aparecem por volta do ano 200. O dia 25 de dezembro foi mencionado em 336, o que não impedia que em outras datas também ocorressem os festejos, como, por exemplo, no dia 6 de janeiro, que até hoje é mantido pelas Igrejas Ortodoxas Orientais. (2)

Com o passar dos séculos, o Natal foi deixando de ser uma festa de cunho religioso e passou a ganhar novos contornos, originários de culturas anteriores ao Cristianismo. Na Inglaterra, durante a Idade Média, o Natal transformou-se no dia mais alegre do ano, mas como esse estado de alma não era lá muito compatível com o “espírito sombrio” da época, os puritanos que encaravam a festa como pagã proibiram-na no país.

No ocidente, a celebração do Natal, anteriormente ligada ao nascimento de Jesus, aos poucos foi sendo modificada. A figura do Papai Noel, o bom velhinho, tornou-se um atrativo maior para as crianças, logo também para os adultos. As festas natalinas assumiram um caráter notadamente comercial, onde se estimula o consumismo desenfreado sob o pretexto de que esta é a época de se presentear os amigos e parentes.

Com isso tudo, Jesus foi sendo gradualmente substituído, de motivo central da festividade a elemento secundário na preferência popular, que resolveu homenagear outros ídolos.

 

*

 

Ele, porém, dissera com convicção: “Na Casa do Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos o lugar.” (3) Ao fazer tal afirmação, o Cristo garantiu que há um lugar para todos, que a Ele cabe preparar.

Mas, e Ele? Que lugar ocupa no mundo atual? Será um lugar específico? Numa escala de valores, está em primeiro lugar?

A civilização ocidental rotula-se como cristã, todavia, é muito difícil encontrarmos o Cristo no Cristianismo presente. Parece que os homens o baniram, substituindo-o por outros modelos de heróis, que na verdade, não expressam nenhum dos valores cristãos.

Cultuam-se ídolos que se sobressaem pela força de seus músculos, pela facilidade em matar grande número de pessoas, pelas conquistas amorosas, pela adoção deliberada de extravagantes atitudes eróticas para a venda milionária de discos e livros.

Longe está o modelo do herói cristão, que traz à memória as figuras de Gandhi, Albert Schweitzer, Madre Tereza de Calcutá e alguns poucos mais.

Por isso o Natal se distancia cada vez mais de seu real significado. O aniversariante, por certo, não se importaria em ser presenteado. Um dia, uma mulher pecadora rendeu-lhe homenagens perfumando os Seus pés com essência de nardo, diante dos fariseus estupefatos e dos apóstolos um tanto constrangidos. O Mestre aceitou a oferenda porque sabia da atitude interiorque a impulsionava. Todavia, quão distante esse gesto de humildade, respeito e amor da comercialização desenfreada que ocorre nos nossos dias!

Onde está Jesus neste Natal?

Ele nos prepara o lugar. E que lugar Lhe damos em nossa vida?

 

*

 

No momento em que nossa cultura comemora esta data, vale a pena guardar na memória e no sentimento uma certeza: essa região, que o Mestre prepara para nós, começa no território do coração, e só com muito trabalho e comprometimento com o Amor genuíno é que ampliaremos os horizontes seguros de nossa paz.

Isto equivale dizer que o homem reconheceria, então, o lugar do Cristo como o legítimo Governador Espiritual da Terra.

Na verdade, o Natal não significa somente o nascimento de Jesus, em um dia específico, diante das datas do mundo, mas também o nascimento doCristo na consciência renovada do Homem Integral, em qualquer dia, a qualquer hora.

É com esta visão que Cármen Cinira traduz, em poesia, a festa real de Jesus:

 

“Natal!... O mundo é todo um lar festivo!...

Claros guizos no ar vibram em bando...

E Jesus continua procurando

A humilde manjedoura do amor vivo.

Natal! Eis a Divina Redenção!...

Regozija-te e canta, renovado,

Mas não negues ao Mestre desprezado

A estalagem do próprio coração.” (4)

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

(1)     “Técnica de Viver”. Psicografado por Waldo Vieira. Ed. CEC, 1984.

(2)     Dados históricos extraídos da Enciclopédia Delta Universal, Ed. Delta, Rio de Janeiro.

(3)     JOÃO, 14:2.

(4)     “Instruções Psicofônicas”, Cap. 40, 3ª ed. FEB. Psicografado por F. C. Xavier.

 

 

 

Fonte: revista Reformador, da FEB, de dezembro de 1992



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