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Federação Espírita de Mato Grosso do Sul

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MEDIUNIDADE - CORREIO DO MUNDO ESPIRITUAL
por Christiano Torchi

A mediunidade, cada vez mais, chama a atenção, sobretudo de setores tradicionais da mídia, que, aos poucos, rompendo com o preconceito ainda vigente, vêm, ultimamente, ampliando a cobertura desta temática. Em Atos (2:17), encontramos a passagem do Novo Testamento, que prenunciou a multiplicação desse fenômeno, meio de despertamento dos homens para a realidade de sua transcendência espiritual:“Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões, e os velhos, sonhos”.

A mediunidade tem a idade do homem. Não foi criada pelo Espiritismo. Trata-se de uma lei natural a que todos estamos sujeitos. Ela atesta o amor de Deus para com os seus filhos, confirmando a imortalidade da alma, a continuidade da vida e a possibilidade de intercâmbio entre os planos visível e invisível.

“Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium”.[1] O mero ato de sintonizar, ainda que inconscientemente, a faixa de pensamentos de outros Espíritos, mesmo que numa simples prece, nos liga com o mundo invisível, daí o dizer-se que “todos somos médiuns”: “quem pensa, está fazendo alguma coisa alhures”, porque “toda alma é um ímã poderoso”.[2]

Os povos primitivos, quando adoeciam, tinham os seus pajés, encarregados de realizar a medicina empírica da época, recebiam a intuição para a descoberta de ervas e plantas que curavam e alimentavam. Muitas invenções e criações, sustentadas pelo indispensável trabalho e esforço humano, tiveram e continuam tendo, na mediunidade, a sua fonte inspiradora, impulsionando o homem rumo às estrelas.

Determinadas pessoas, além de usufruírem dessa faculdade latente, comum a todos nós, possuem também mediunidade ostensiva, que lhes permite produzir, por exemplo, efeitos físicos e ou transmitir o pensamento dos Espíritos pela escrita ou pela palavra. A mediunidade pode desabrochar inesperadamente em qualquer pessoa, independentemente da idade, sexo, grau de inteligência, seja de que religião for, ou mesmo que não tenha religião alguma, inclusive num ateu ou num incrédulo.

É uma faculdade inerente ao ser humano – não se trata de privilégio algum. Muito pelo contrário. Não raro, o Espírito reencarna com esta faculdade ostensiva, que lhe é outorgada pela misericórdia divina como oportunidade de evolução e/ou redenção.

Allan Kardec destaca que “o fim providencial das manifestações é (...) dar aos crentes idéias mais justas sobre o futuro”.[3] Assim, repelir as comunicações dos Espíritos é um contrassenso, pois elas nos oferecem preciosos ensinamentos quanto ao nosso futuro espiritual, além de nos proporcionar estudos edificantes para a compreensão das Leis Divinas.

Observando a situação moral em que se encontram os Espíritos desencarnados, em cuja posição estaremos após a morte física, é possível extrair conclusões valiosas a respeito de como devemos pautar a nossa conduta, enquanto encarnados, circunstância que pode favorecer o nosso progresso espiritual, se soubermos aproveitá-la. As criaturas encarnadas nunca estiveram abandonadas por Deus, que deixou uma fresta de comunicação entre o “Céu” e a Terra, uma espécie de correio do mundo espiritual, em que os médiuns podem ser considerados cartas vivas da espiritualidade.

Muito da incredulidade sobre tais fenômenos se deve ao desconhecimento e ao mau uso que se faz da mediunidade, que, para alguns, se transforma em fonte de exploração comercial, produzindo consequências desastrosas para aqueles que abusam dessa sublime concessão divina.

 “Dai de graça o que de graça recebestes” (Mateus 10:8), recomenda Jesus, numa clara alusão de que tais faculdades são concedidas pelo Criador, para que sejam utilizadas em benefício da espiritualização do ser humano: a mediunidade com Jesus. Jamais o cristão, seja de que segmento for, deve se tornar um profissional da religião ou fazer desta um meio de vida!

Jesus também alertou que haveria falsos profetas, isto é, falsos religiosos, falsos médiuns ou médiuns que utilizariam suas faculdades com fins egoísticos. Da mesma forma, o apóstolo João recomendou que não confiássemos cegamente em todos os Espíritos, muitos deles falsos profetas da erraticidade: “Meus bem-amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto vários falsos profetas se ergueram no mundo.” (1ª Epístola, Cap. IV, v. 1).

A faculdade mediúnica também não depende do desenvolvimento moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu uso, que pode ser bom ou mau, conforme as qualidades do médium. Assim, as qualidades das comunicações espirituais variam de acordo com a conduta moral do médium. Se for uma pessoa idônea, de bons princípios morais, estudiosa, oferece campo para a aproximação e manifestação de bons Espíritos. Isso não quer dizer que um médium aplicado, de conduta elevada, não possa servir de intermediário de Espíritos sofredores ou menos evoluídos, quando isto for necessário.

A moral dos Espíritos superiores, de que os médiuns se fazem canais, é a mesma do Cristo, e pode ser resumida na expressão: “Fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam”, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio, o homem encontra uma regra universal de proceder, mesmo para as ações mais insignificantes.

O princípio da sobrevivência da alma guarda relação íntima com o da comunicabilidade dos Espíritos, o qual é uma decorrência natural daquele. É totalmente ilógico e insensato que o Espírito sobreviva à morte do corpo físico e esteja impedido de se comunicar com o mundo em que estagiou, apenas porque os homens querem que assim seja; ou que apenas os maus Espíritos se comuniquem, com a finalidade de ludibriar os encarnados, como apregoam determinados segmentos religiosos; ou que apenas os “santos Espíritos” o façam para alguns seres supostamente privilegiados.

Não há profanação alguma no comunicar-se com os desencarnados, quando isso é feito com recolhimento e quando a evocação seja praticada respeitosa e convenientemente. Alguns religiosos procuram desautorizar o Espiritismo com base na Bíblia, chamando a atenção, entre outras coisas, para a proibição mosaica de evocar os mortos (Deuteronômio, 18:14).[4] Em primeiro lugar, essa crítica contradiz-se com a afirmação de que não é possível a comunicação com os mortos. Ora, se Moisés proibiu a comunicação com os mortos é porque ela era e é possível.

Ademais, se o Velho Testamento deve ser tão rigorosamente observado neste ponto, é natural que o seja também em todos os outros. Por que a lei de Moisés seria boa no tocante às evocações e não em outras partes? Se se reconhece que a lei mosaica não está mais de acordo com o nosso tempo e nossa cultura, em certos casos, a mesma razão procede para a proibição de comunicação com os mortos.

O uso da mediunidade requer discernimento. Moisés proibiu-a no seio do povo hebreu, por precaução. Essa proibição justificava-se, naquela época, por motivos históricos, que hoje não mais prevalecem. O legislador hebreu queria que o seu povo, ainda rude e ignorante, abandonasse todos os costumes adquiridos, durante séculos de cativeiro, no seio de um povo idólatra (os egípcios), onde as evocações dos Espíritos eram praticadas indiscriminadamente e facilitavam os abusos. O que Moisés reprovava o Espiritismo também não recomenda, pois a evocação dos “mortos” não se pautava pelos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com os Espíritos, sendo antes um recurso para adivinhações, um meio de satisfazer as paixões humanas.

Somos, ainda, Espíritos em trânsito da animalidade para a angelitude, mais perto do ponto de partida do que do ponto de chegada. Sejamos ou não médiuns ostensivos, compete-nos, na construção de cada dia, empregar as faculdades de Espírito, na prática do bem e pelo estudo das leis espirituais, de modo a nos conhecer melhor e a despertar novos níveis de consciência, expandindo, assim, nossas percepções sobre o mundo que nos envolve, tanto o físico quanto o espiritual.

Encerramos estas reflexões com o pensamento atribuído a Confúcio, que é um alerta para a necessidade da vigilância de nossa conduta diária: “Quando você nasceu, todos sorriam, só você chorava. Viva de tal forma que, quando você morrer, todos chorem e só você ria.” 

 

[1] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns.  61ª ed. Cap. XIV, item 159, “Dos Médiuns”. Rio de Janeiro: FEB, 1995, p. 203.

[2] XAVIER, Francisco Cândido. Nosso Lar. Pelo Espírito André Luiz. 45ª ed. Cap. 12. “O Umbral”. Rio de Janeiro: FEB, 1996, p. 72.

[3] O que é o Espiritismo. 37ª ed. Cap. II, item 50. “Noções Elementares de Espiritismo”. Rio de Janeiro: FEB, 1995, p. 168.

[4] Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém, quanto a ti, o Senhor teu Deus não te permitiu tal coisa.



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