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Federação Espírita de Mato Grosso do Sul

Estudo continuado do Livro Dos Espíritos


ESTUDO SOBRE A QUESTÃO Nº 47

Questão nº 47.

A espécie humana se encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo terrestre?

Resposta

“Sim, e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem se formou do limo da terra.”

***

Os Espíritos Superiores, ao expressarem que “o homem se formou do limo da terra”, evidentemente estavam se referindo à gênese bíblica, que, em uma das versões atuais, aparece com a seguinte tradução:

 

Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra [ou limo da terra], e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente.[1]

 

Moisés, naturalmente, vivendo em época tão recuada (cerca de 1.500 anos antes de Cristo) partilhava das mais primitivas crenças sobre a cosmogonia[2]. Entretanto, excelente médium que era, interpretando o pensamento das entidades [reveladores espirituais da época], que por meio dele se expressavam, o legislador hebreu recebeu, de forma alegórica, a pista para a origem do homem.

Em “A Gênese”, quinta obra codificada, com a assistência dos Espíritos Superiores, Kardec elucida melhor essa questão:

 

11. — Ele [Moisés] se houve com mais acerto, dizendo que Deus formou o homem do limo da Terra. A Ciência, com efeito, mostra (cap. X) que o corpo do homem se compõe de elementos tomados à matéria inorgânica, ou, por outra, ao limo da terra.[3] (Grifos meus).

 

Estudos científicos em busca da origem da vida, secundados por experiências em laboratório, nas quais se procura reproduzir o ambiente primitivo da Terra, revelam fenômenos que, embora dissociados do elemento espiritual, se assemelham com os descritos pelos Espíritos na presente questão:

 

Os cientistas há muito analisam a origem da vida. Em 1871, Charles Darwin escreveu uma carta ao amigo Joseph Hooker: “Mas, se... pudéssemos conceber num laguinho aquecido, com a presença de todo tipo de amônia e sais fosfóricos, luzes, calor, eletricidade etc., que um composto proteico fosse quimicamente formado e pronto para passar por mudanças ainda mais complexas...”.

Em 1953, o químico americano Harold Urey e seu aluno Stanley Miller encontraram uma forma de reproduzir a atmosfera inicial da Terra em laboratório e, a partir de matéria inorgânica, geraram compostos orgânicos (à base de carbono) essenciais à vida.

Antes do experimento Urey-Miller, avanços na química e astronomia haviam analisado as atmosferas em outros planetas sem vida no Sistema Solar. Nos anos 1920, o bioquímico soviético Alexander Oparin e o geneticista britânico J. B. S. Haldane, independentemente, sugeriram que se as condições na Terra prebiótica (pré-vida) lembravam aqueles planetas, então elementos químicos simples poderiam ter reagido juntos, numa sopa primordial para formar mais moléculas complexas, das quais coisas vivas talvez tivessem evoluído.[4] (G.n.).

 

Esta “sopa primordial” foi denominada “esterco orgânico” pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson, sucessor de Carl Sagan na condução da antiga série de TV “Cosmos: Odisseia no espaço”[5], e de “sopa química” por Kendall Haven.[6]

Já no livro “Evolução em Dois Mundos”, ditado pelo Espírito André Luiz, psicografado, em 1958, pelo médium Francisco Cândido Xavier, respigamos as seguintes ideias, emolduradas com linguagem sublime:

 

PRIMÓRDIOS DA VIDA – Procurando fixar ideias seguras acerca do corpo espiritual, será preciso remontarmos, de algum modo, aos primórdios da vida na Terra, quando mal cessavam as convulsões telúricas, pelas quais os Ministros Angélicos da Sabedoria Divina, com a supervisão do Cristo de Deus, lançaram os fundamentos da vida no corpo ciclópico do Planeta.

A matéria elementar, de que o eletrão [elétron] é um dos corpúsculos-base, na faixa de experiência evolutiva sob nossa análise, acumulada sobre si mesma, ao sopro criador da Eterna Inteligência, dera nascimento à província terrestre, no Estado Solar a que pertencemos, cujos fenômenos de formação original não conseguimos por agora abordar em sua mais íntima estrutura.

A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da vida e, sob o impulso dos Gênios Construtores, que operavam no orbe nascituro, vemos o seio da Terra recoberto de mares mornos, invadido por gigantesca massa viscosa [espécie de limo] a espraiar-se no colo da paisagem primitiva.

Dessa geléia cósmica, verte o princípio inteligente, em suas primeiras manifestações...

Trabalhadas, no transcurso dos milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes [germens dos seres vivos] exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma [complexo proteínico que abrigava os germens] de que se lhes derivaria a existência organizada no Globo constituído.

Séculos de atividade silenciosa perpassam, sucessivos...[7]  

 

Como se viu, a resposta a esta pergunta complementa a de n. 44, segundo a qual a Terra continha os germens dos seres vivos. Sem dúvida, tais estudos dão a sensação de que as pesquisas científicas contemporâneas guardam similitude com os ensinos da Codificação kardequiana, estas, porém, acrescidas do elemento espiritual, o que dá mais consistência às hipóteses da origem da vida na Terra.

 

[1] Bíblia sagrada. Antigo testamento. Gênesis, 2:7. Brasília-DF: Sociedade Bíblica do Brasil. Trad. João Ferreira de Almeida, 1991, p. 8.

[2] Cosmogonia: Ciência afim da Astronomia, que trata da origem e da evolução do Universo.

[3] Ob. cit. 34. ed. Gênese moisaica. Rio de Janeiro: FEB. Cap. XII,  item 11, 1991, p. 245.

[4] O Livro da Ciência. Colaborador Adam Hart-Davis [Et.al.]. Trad. Alice Klesck. 1. ed. São Paulo: Globo Livros, 2014, p. 275.

[5] TYSON , Neil deGrasse e GOLDSMITH, Donald. Origens. Catorze bilhões de anos de evolução cósmica. Trad. Rosaura Eichenberg. São Paulo: Planeta do Brasil, 2015, pág. 255.

[6] HAVEN, Kendall F. As 100 maiores descobertas científicas de todos os tempos. Trad. Sergio Viotti. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 272.

[7] Ob. cit. 11. ed. Evolução e corpo espiritual. Rio de Janeiro: FEB. Cap. III, 1989, p. 31-32.



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