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Federação Espírita de Mato Grosso do Sul

Estudo continuado do Livro Dos Espíritos


ESTUDO SOBRE A QUESTÃO N. 44

Questão nº 44.

De onde vieram os seres vivos para a Terra?

Resposta

A Terra lhes continha os germens, que aguardavam o momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram desde que cessou a força que os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos. Estes germens permaneceram em estado latente e inerte, como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício à eclosão de cada espécie; então, os seres de cada espécie se reuniram e se multiplicaram.

***

É sabido que os compostos minerais se formam a partir da combinação dos elementos, obedecendo, em primeiro lugar, às afinidades existentes entre eles e decorrentes das estruturas de seus átomos; e, em segundo lugar, às leis das combinações químicas, entre as quais sobrelevam a da conservação das massas, proposta por Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794): numa reação química que ocorre em ambiente fechado, a massa total antes da reação é igual à massa total após a reação, a partir da qual foi cunhada a famosa frase: “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Outra lei importante na composição dos minerais e que interessa ao nosso estudo é a lei das proporções definidas, ou lei de proporcionalidade, descoberta por Joseph Louis Proust (1754-1826): uma determinada substância pura, qualquer que seja a sua origem, apresenta sempre a mesma composição em massa ou a proporção das massas que reagem permanece constante. Ex: o hidrogênio e o oxigênio têm grande afinidade química e em condições apropriadas se combinam para formar água. Ao se combinarem, as suas massas guardam entre si uma relação invariável (de 1 para 8).

Quanto à formação dos seres vivos – explicam os Espíritos –, ela segue as mesmas leis que regulam a formação das substâncias minerais, isto é, obediência às afinidades existentes entre seus elementos constitutivos e às leis das combinações químicas, acrescidas, porém, do princípio vital, elemento que comunica aos vegetais e aos animais a vida orgânica, possibilitando-lhes o exercício de todas as funções vitais. Este assunto será abordado a partir da questão n. 60.

Sobre a origem dos seres vivos na Terra, encontramos estudo detalhado no capítulo X de “A Gênese”, quinta obra básica codificada por Kardec, de onde extraímos alguns trechos:

 “12. A lei que preside à formação dos minerais conduz naturalmente à formação dos corpos orgânicos. A análise química mostra que todas as substâncias vegetais e animais são compostas dos mesmos elementos que os corpos inorgânicos. (...) Assim, na formação dos animais e das plantas, nenhum corpo especial entra que igualmente não se encontre no reino mineral.”  […].

“14. As diferentes combinações dos elementos, para formação das substâncias minerais, vegetais e animais, não podem, pois, operar-se, a não ser nos meios e em circunstâncias propícias; fora dessas circunstâncias, os princípios elementares estão numa espécie de inércia. Mas, desde que as circunstâncias se tornam favoráveis, começa um trabalho de elaboração; as moléculas entram em movimento, agitam-se, atraem-se, aproximando-se e se separam em virtude da lei de afinidades e, por suas múltiplas combinações, compõem a infinita variedade das substâncias. Desapareçam essas condições e o trabalho subitamente cessa, para recomeçar quando elas de novo se apresentarem. É assim que a vegetação se ativa, enfraquece, para e prossegue, sob a ação do calor, da luz, da umidade, do frio ou da seca; que esta planta prospera, num clima ou num terreno, e se estiola ou perece noutros.

15. — O que diariamente se passa às nossas vistas pode colocar-nos na pista do que se passou na origem dos tempos, porquanto as leis da Natureza não variam. Visto que são os mesmos os elementos constitutivos dos seres orgânicos e inorgânicos; que os sabemos a formar incessantemente, em dadas circunstâncias, as pedras, as plantas e os frutos, podemos concluir daí que os corpos dos primeiros seres vivos se formaram, como as primeiras pedras, pela reunião das moléculas elementares, em virtude da lei de afinidade, à medida que as condições da vitalidade do globo foram propícias a esta ou àquela espécie.” (FEB). Destaquei.

Os seres vivos nunca se mostram desde o início de sua existência como os conhecemos nos indivíduos adultos. Vegetal ou animal, os seres vivos procedem sempre de um gérmen.

Os germens são sistemas orgânicos minúsculos, em que potencialidades funcionais se encontram em estado latente (oculto), à espera de condições propícias de calor, umidade, meio nutritivo apropriado, para eclodirem, determinando o crescimento, o desenvolvimento e a multiplicação celular, de modo que surja do gérmen o embrião, e do embrião o ser completo (tomemos a semente, do reino vegetal, como analogia).

Como não poderia ser diferente, a vida, aí incluída a espécie humana, apareceu na Terra também a partir dos germens. É o que se deduz do ensino dos Espíritos.

Em “A Caminho da Luz”, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, o autor espiritual Emmanuel se reporta ao período em que “o orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas ou marcos do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição do planeta”. (Ob. cit., p. 18, FEB).

Nesse período de “caos”, que teria durado centenas de milhões de anos, em que os elementos estavam fundidos ou “misturados”, em decorrência de elevadíssimas temperaturas, nosso raciocínio não concebe a possibilidade da existência dos seres vivos tal qual os conhecemos. Era toda uma preparação que se efetuava para receber os futuros habitantes da nossa casa planetária. 

E prossegue o autor de “A Caminho da Luz”:

“Laboratório de matérias ignescentes, o conflito das forças telúricas e das energias físico-químicas opera as grandiosas construções do teatro da vida, no imenso cadinho onde a temperatura se eleva, por vezes, a 2.000 graus de calor, como se a matéria colocada num forno, incandescente, estivesse sendo submetida aos mais diversos ensaios, para examinar-se a sua qualidade e possibilidades na edificação da nova escola dos seres. As descargas elétricas, em proporções jamais vistas da Humanidade, despertam estranhas comoções no grande organismo planetário, cuja formação se processa nas oficinas do Infinito.

(...)

Os primeiros habitantes da Terra, no plano material, são as células albuminoides, as amebas e todas as organizações unicelulares, isoladas e livres, que se multiplicam prodigiosamente na temperatura tépida dos oceanos.

Com o escoar incessante do tempo, esses seres primordiais se movem ao longo das águas, onde encontram o oxigênio necessário ao entretenimento da vida, elemento que a terra firme não possuía ainda em proporções de manter a existência animal, antes das grandes vegetações; esses seres rudimentares somente revelam um sentido – o do tato, que deu origem a todos os outros, em função de aperfeiçoamento dos organismos superiores.” (Ob.cit., p. 19 e 26, respectivamente).

Já na obra “Evolução em Dois Mundos”, também psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, o Espírito André Luiz descreve fenômeno semelhante ocorrido nos imensos períodos que precederam o resfriamento da superfície do planeta, que recebia o acabamento que o tornaria propício ao acolhimento da vida:

“A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da vida e, sob o impulso dos Gênios Construtores, que operavam no orbe nascituro, vemos o seio da Terra recoberto de mares mornos, invadido por gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva.” (Ob. Cit., p. 31, FEB).

A revelação dos Espíritos de que a formação dos seres vivos segue as mesmas leis que regulam a formação das substâncias minerais reforça o ensino de que houve um planejamento para a implantação da vida na Terra, que só pôde se dar porque o Planeta lhes continha os germens, os quais aguardavam o momento favorável para se desenvolver. De algum modo, esse fenômeno confirma a existência de uma íntima ligação entre o espírito e a matéria.

Cessada a força que mantinha os princípios orgânicos afastados, esses se congregaram, formando os germens de todos os seres vivos, germens esses que permaneceram em estado latente e inerte, até o momento propício à eclosão da cada espécie, o que só foi possível graças à presença do elemento vital que, em contato com a matéria e sob a influência de forças inteligentes, criou as condições necessárias para que a vida se espalhasse por todos os cantos e lugares do orbe, o que se deu pela reunião e multiplicação dos seres de cada espécie.



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