13 de novembro, o Dia do Jovem Espírita

 

Não pretendemos com esse artigo falar sobre o histórico do movimento de Mocidades Espíritas, nem tão pouco da sua importância para a Casa e o Movimento Espírita. Gostaríamos apenas de contribuir para o conhecimento do porque dessa data.
            Em 1949, após a assinatura do Pacto Áureo que criou o CFN/FEB (Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira), os dois únicos organismos do Movimento Espírita Juvenil do país resolveram aderir de pronto ao Pacto e, em 13 de novembro, consumava-se, enfim, o ATO DE UNIFICAÇÃO DAS MOCIDADES E JUVENTUDES ESPÍRITAS, dando início ao Departamento de Juventude da Federação Espírita Brasileira.
Esta data surge como um marco para a história das Mocidades Espíritas, representando o idealismo acima do personalismo, da confraternização acima do fracionamento, da mensagem esclarecedora acima do melindre do estudo e do trabalho acima dos obstáculos pessoais.
DIA 13 DE NOVEMBRO brilha para a HUMANIDADE como sendo o DIA DO JOVEM ESPÍRITA.
            Para mais detalhes e informações, transcrevemos, no final deste, o Artigo Mocidade Espírita publicado no Anuário Espírita de 1971. Porém a pergunta que fica é: O QUE É SER JOVEM ESPÍRITA?
            Se buscarmos no dicionário Aurélio:
 jo.vem - Adjetivo de dois gêneros. 1.Que está na juventude; juvenil. 2.Juvenil (1). Substantivo de dois gêneros.  
es.pí.ri.ta - Adjetivo de dois gêneros. 1.Relativo ao espiritismo. Substantivo de dois gêneros. 2.Partidário dele. [Sin. ger.: espiritista.]
            Apesar de muito lógica, a definição que o Aurélio nos dá é pouco esclarecedora ao que, na essência, venha a ser um Jovem e Espírita.
Antes de prosseguirmos, gostaria de lembrar dois pequenos trechos do Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec:
“Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más tendências.”
(
OS BONS ESPÍRITAS - Cap. 17, It. 4)
“É chegado a hora em que deveis sacrificar, em favor da sua divulgação (Doutrina Espírita), hábitos, trabalhos, ocupações fúteis.”
(
MISSÃO DOS ESPÍRITAS - Cap. 20, It. 4)
 
Olhando à nossa volta vemos diversos exemplos de juventude. Seja onde for, de que jeito for, o jovem é fácil de reconhecer e de se perceber sua presença. E, com o Jovem Espírita, não é diferente. Pegamos alguns casos só para contextualizar:
 
“Uma jovem de 24 anos recusa o convite dos amigos para ir num show de sua cantora preferida, que ocorrerá em sua cidade, só para estar presente numa reunião de estudos preparatórios de um Encontro de Mocidades.”
“Jovens das mais variadas idades se reúnem aos finais de semana para elaborar metodologias de como facilitar a assimilação da Doutrina por outros jovens.”
“Um rapaz economiza os trocados, deixa de ir ao cinema, de comprar uma camiseta da moda, só para conseguir estar presente numa reunião e representar seu grupo de Mocidade.”
“Uma jovem dirigente de mocidade abre o Centro todo sábado no mesmo horário, prepara a sala, arruma o material, e espera os participantes que por vezes a deixaram esperando.”
“Mesmo sem apoio dos pais, um jovem vai às reuniões de mocidade, pois gosta do estudo e das pessoas que lá estão. E, às vezes, deixa de ir a festas de aniversário, casamentos, churrascos em família, para estar com os amigos e estudar Espiritismo.
 
            Pois bem, pela vivência que temos, é possível afirmar que ser Jovem Espírita é isso e muito mais.
            Ser Jovem Espírita é lutar contra as “tentações do mundo”. É se indispor às vezes com a família só para estar na Mocidade. É se sacrificar em prol de algo que acredita. É confiar em Deus e na espiritualidade.
Ser Jovem Espírita é a busca pelo conhecimento das verdades eternas, pelo esclarecimento sobre as questões mais íntimas como a perda de entes queridos e as divergências familiares.
Ser Jovem Espírita é compreender as dores da alma, a fome e a pobreza. Entender o mundo dos espíritos e ter na mediunidade uma ferramenta de caridade, e na alegria do trabalho voluntário, a prática do Cristianismo. É querer trabalhar com os mais velhos, mesmo sendo rotulado como irresponsável e imaturo.
Temos a oportunidade de ser jovem e trabalhar com jovem. Mais do que um estado físico, a juventude é sim um estado de espírito.
Por definição Mocidade Espírita é: Um Grupo de jovens que se reúnem com o objetivo de estudar a Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, e temas atuais à luz do Espiritismo, contribuindo, assim, para a informação e formação moral do jovem. Este Grupo denominado MOCIDADE, é um departamento do Centro Espírita, no qual realiza suas reuniões de Estudo e desenvolve tarefas. Praticando os preceitos de Jesus, a Mocidade interage no meio-social. Estrutura atividades que atendam aos interesses e necessidades do jovem que dela participa. Através do Movimento de Unificação busca seu aperfeiçoamento.
A Mocidade deve ser vista como um Departamento da Casa Espírita, assim como é a Evangelização, a Assistência Social, a Orientação Doutrinária, Mediunidade, etc. Todos fazemos parte de um mesmo grupo de trabalho, não podemos e nem devemos trabalhar como uma caixa dentro de outra caixa.
É nesse grupo chamado Mocidade Espírita que se fornece oportunidades de ser jovem em qualquer lugar e ambiente da sociedade. Por isso não nos equivocamos em dizer que a MOCIDADE ESPÍRITA É LUGAR DE SER JOVEM.
Parabéns aos Jovens Espíritas que construíram esse movimento. Bom trabalho para os Jovens Espíritas que seguem confiantes na promessa do jovem Rabi da Galiléia.
 
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ASPECTO HISTÓRICO DAS MOCIDADES E JUVENTUDES ESPÍRITAS
 
Não há documentos que atestem ser a década de 1930 a data para o surgimento dos grupos de jovens com o objetivo do estudo da Doutrina Espírita; nem quem foi o receptor intuitivo desse plano de trabalho, que certamente foi elaborado pela Espiritualidade.
Pela espiritualidade, sim! De outra sorte, careceria de explicação plausível a singular multiplicação, o estranho fenômeno de crescimento dos núcleos juvenis espíritas.
Ramiro Gama fala em 1933, na cidade de Araçatuba a primeira Mocidade Espírita; Alberto Nogueira da Gama registra a fundação da União das Juventude Espírita, em 22 de maio de 1932, na sede do Centro Espírita Maria de Nazaré, em Santana, São Paulo – Capital, como marco... Segundo pesquisas a primeira Mocidade Espírita seria fundada na cidade de Bebedouro/SP, em 1930.
Por todo o país, jovens idealistas, sob a inspiração da Espiritualidade, projetam e concretizam locais de estudo, onde pudessem cultivar o pensamento e trabalhar pelos ideais do coração.
Desse movimento desencadeado e intensamente desenvolvido, na Guanabara (hoje Rio de Janeiro) nasce a 31 de agosto de 1947 a União das Juventudes Espíritas do Distrito Federal, fundada por uma assembléia das Mocidades Espíritas da Guanabara e em 25 de julho de 1948, por deliberação do 1º Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil, nasce o Conselho Consultivo de Mocidades Espíritas do Brasil. Figuravam como os dois únicos organismos federativos do Movimento Espírita Juvenil...
As Mocidades Espíritas se viam na obrigatoriedade de se definir para um outro lado, fracionando o espírito de solidariedade e trabalho.
Em 05 de outubro de 1949 surge o Pacto Áureo, definindo a Federação Espírita Brasileira. Os dois organismos federativos, de pronto, entenderam a situação e aderiram incondicionalmente e há 13 de NOVEMBRO DE 1949 em radiosa manhã de Domingo, nos estúdios da Rádio Clube do Brasil, na Hora Espiritualista , João Pinto de Souza e com a intercessão conciliadora de Geraldo de Aquino, diretor do programa, consumava-se, enfim, o ATO DE UNIFICAÇÃO DAS MOCIDADES E JUVENTUDES ESPÍRITAS, das quais aqueles dois órgãos eram a mais alta expressão representativa. Surge , então o Departamento de Juventude da Federação Espírita Brasileira.
Esta data surge para a história das Mocidades Espíritas como representando o idealismo acima do personalismo, da confraternização acima do fracionismo, da mensagem esclarecedora acima do melindre do estudo e do trabalho acima dos obstáculos pessoais...
DIA 13 DE NOVEMBRO brilha para a HUMANIDADE como sendo o DIA DO JOVEM ESPÍRITA.
 
A PRIMEIRA MOCIDADE ESPÍRITA NO MUNDO
 
Os espíritas podem agora começar, como reais pensadores e filantropos, a trabalhar nas verdadeiras raízes da sociedade.
Estas palavras foram pronunciadas há 100 anos, quando o movimento de jovens espíritas foi iniciado em New York, no dia 25 de janeiro de 1863. São, todavia, tão atuais como se tivessem sido pronunciadas hoje pela  manhã. Com elas Andrew Jackson Davis iniciou o movimento de jovens espíritas no mundo. Davis foi um extraordinário médium americano nascido em 11 de agosto de 1826, em Blooming Grove, Orange County, Estado de New York. Desencarnou em 1910.
 
Propagandista espírita e sensitivo de extraordinária faculdades, Davis foi levado, em transporte, a uma colônia espiritual que lhe disseram chamar-se Summerland. Ali deparou com uma organização social maravilhosa, destacando-se grupos de jovens em labor espiritual. Em confronto com o que viu, as escolas dominicais das diversas religiões na Terra pareceram-lhe verdadeiras aberrações onde as crianças encarnadas aprendiam toda uma série de idéias errôneas e perniciosas, capazes de torná-las limitadas e intolerantes, arruinando-lhes a vida.
Numa palestra realizada no Dodsworth Hall, nº 806, Broadway, New York, no dia 25 de janeiro de 1863, narrou o que viu e fez comparações com o que existia na Terra. Ao conjunto de seus pensamentos foi dado o nome de Harmonial Philosophy.
No mesmo dia foi iniciado o novo movimento, abrangendo jovens de todas as idades, dando começo ao que no Brasil denominamos “Curso de Moral Evangélica” e Mocidades ou Juventudes Espíritas. A isto Davis denominou Children’s Progressive Lyceum, flagrantemente homenageado a antiga escola ateniense onde Sócrates ministrava ensino aos seus discípulos. Assim nasceu o Movimento Liceumista no seio do Espiritismo. Dai para a frente, propunha-se que a criança e o jovem deveriam aprender as verdades do mundo espiritual mediante uma compreensão racional e não mais em conformidade com as rançosas prescrições da teologia ortodoxa.
As reuniões eram dominicais e nelas faziam-se promoções em torno da verdade, do amor, da beleza, da arte, da saúde, da ciência e da filosofia. Essa instrução, entretanto, deveria ser ministrada de quatro maneiras diferentes. Fisicamente por exercícios e diversões sadias; intelectualmente, pela leitura e o estudo; moralmente, pelo estudo da mente e o encorajamento ao aprofundamento de raciocínios; e com mais ênfase, espiritualmente, pelo exame das verdades que constituem o eixo da vida.
Um dos lemas do movimento era: Vivemos para aprender e aprendemos para viver. A Inglaterra foi o segundo país a acolher o movimento de jovens espíritas, levado à ilha por James Burns, editor do Medium and Daybreak. O avanço na Grã-Bretanha foi feito pelas cidades de Nothinghan, em junho de 1866 e Keyghley, no Yorkshire, onde, em 1853, com seus amigos owenistas(discípulos do líder socialista Robert Owen), David Richmond havia fundado o primeiro templo espírita da Inglaterra. Com o progresso do núcleo de Keyghley, fundado em julho de 1870, em outubro de 1884 fundava-se o terceiro em Sowerby Bridge.
Andrew Jackson Davis, o fundador do movimento de mocidades espíritas, foi uma espécie de João Batista , preparando o caminho para a Terceira Revelação já bem antes das Irmãs Fox e Allan Kardec.
O movimento liceumista floresceu extraordinariamente, até 1930, quando entrou em declínio. Os freqüentadores se tornaram mais raros  e os núcleos se foram extinguindo. E é muito curioso notar  que, ao mesmo tempo, a idéia como que se transferiu para o Brasil.  A 22 de maio de 1932 moços espíritas  se reuniam em São Paulo e ali, no Centro Maria de Nazaré, constituíam o primeiro núcleo de que se tem notícia em terras do Cruzeiro. Tal qual sucedeu com o movimento esboçado por Davis, a idéia se propagou. O segundo núcleo brasileiro parece ter sido em Santos, Estado de São Paulo, fundado a 14 de junho de 1934. O Andrew J. Davis brasileiro chamou-se Luís Gomes da Silva.
Tendo por modelo o grupo paulista, em 1936 outras entidades de jovens começaram a surgir no Rio de Janeiro.
ARTIGO: Mocidade Espírita          
FONTE: Anuário Espírita de 1971
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