21.12.2012: Final dos tempos

 

O artigo resulta da reflexão que fizemos a respeito da consulta que nos foi feita sobre o tema. Creríamos nós, os espíritas, no fim do mundo, datado para 21 de dezembro de 2012? Quais as mudanças de comportamento que deveremos tomar? Quais as medidas preparatórias para esse momento? Quais os conselhos para esse momento? Qual a diferença do Espiritismo com relação às outras religiões cristãs sobre esse tema?

Primeiramente, é preciso que constatemos que o mundo físico que habitamos não é estável. Vivemos sobre uma Terra em constante movimento – rotação e translação – e ainda, sujeita a imprevisíveis (para nós) abalos sísmicos. Grande parte das áreas habitáveis é resultante de erupções vulcânicas; as placas tectônicas se afastam, ilhas emergem e submergem; onde já foi mar, ora é solo árido. Nossa economia e nosso progresso industrial ainda são dependentes e calcados nos restos de uma catástrofe que atingiu há milhares de anos os seres vivos (os dinossauros) e compuseram nossas reservas petrolíferas.  Mudanças e catástrofes se dão do micro ao macrocosmo. Estrelas nascem e morrem, organismos vivos multiplicam-se constante e permanentemente. Terremotos, ciclones, tsunamis transformam o mundo geofísica, social, econômica e politicamente. Em meio às catástrofes, sempre parciais, emerge um novo tempo, um novo homem. Vivemos cotidianamente o final dos tempos, já que nós próprios mudamos células, pensamentos, atitudes, periodicamente. No entanto, onde, aparentemente, o caos predomina, em esferas maiores, nada mais significa do que parte de uma nova Ordem, muito além da concepção humana e que emana de um único Deus-Criador e Gestor de todas as coisas.

 

O mundo cartesiano da certeza, da estabilidade já não nos satisfaz enquanto resposta da dinâmica da vida. A morte, para muitos, considerada o fim, para aqueles que creem em uma vida extrafísica, nada mais é do que um momento de instabilidade para novos rumos, novas verdades. Todo o tempo, vida e morte sucedem-se e desabrocham em mudança, alteração, dinâmica.  Para a Doutrina Espírita, vivemos o fim dos tempos, mas, no que se refere aos valores de uma sociedade que se altera pela própria força da evolução. Interlúdio dos tempos de uma população que, recalcitrante do equívoco, filho da ignorância, deixando-se demorar no erro, parte e outra que chega prenhe de conhecimentos, dotada de caráter mais elevado e sintonizado com a demanda de progresso que o próprio planeta atravessa. Para a Doutrina Espírita, esse novo tempo significa a passagem significativa em que o planeta Terra deixa de ser um lugar de expiação e de provas, portanto, um lugar de sofrimento e com extrema predominância do mal, para tornar-se, paulatinamente, um lugar de regeneração, para onde estarão reencarnando espíritos mais propensos ao bem, à cooperação, ao amor, à resiliência. As mudanças de comportamento já são visíveis, nas estruturas sociais que se modificam para melhor, nas atitudes individuais que, pelo exemplo, vão moldando a coletividade, nas mudanças das leis, nas novas descobertas, na medicina, na ciência, de modo geral.

 

Mais do que nunca é preciso que cada um tome a sua charrua e trabalhe para o seu adiantamento e o progresso coletivo. Mais do que nunca é preciso que cada um avalie sua jornada, reajuste sua bússola e continue a caminhar, porque essa caminhada da alma imortal - e que não se iniciou ontem, mais se reporta há tempos imemoriais - continuará  irremediavelmente  adiante rumo à eternidade. Desse modo, a orientação (e não conselho) é para que continuemos sendo tal como somos, alertas pelos vestígios do passado em nosso presente, com olhos e intenções no futuro, na busca irrefreável da Ética e da Estética (do Bom, do Bem e do Belo), seguindo as pegadas deixadas pelo Mestre Jesus que já veio anunciar o Reino de Deus; prenunciar que nenhuma de suas ovelhas se perderá; que somos luz e para a luz caminhamos, dentre tantos ensinamentos e orientações evangélicas, na qual devemos nortear nossas vidas. É mais do que nunca preciso que sejamos boas pessoas, cidadãos conscientes, almas fervorosas e crentes em um Deus soberanamente justo, que não tergiversa, não compactua e com o qual não podemos barganhar nossa ainda pequenez espiritual.

A diferença do Espiritismo com relação às outras religiões cristãs, é que o Espiritismo assegura a veracidade da vida única e imortal sob a comprovação da imortalidade, tese a que chegou o professor Hipollite Leon Denizard Rivail, após a verificação sistemática e científica, por intermédio do método experimental, em que recebeu, por intermédio de pessoas dotadas de aptidão mediúnica, revelações dos até então considerados mortos. Sim, sob o pseudônimo de Allan Kardec, o renomado professor francês, publicou sua primeira das cinco que publicaria sobre o assunto, em Paris, em 18 de abril de 1857, O Livro dos Espíritos. Resultado de sua pesquisa, o livro aborda de maneira codificada os temas com relação à vida e ao entrelaçamento dos espíritos encarnados e desencarnados. Assim, segundo ele e a revelação dos mensageiros espirituais que lhe secundaram a descoberta, seríamos espíritos imortais que experimentamos a vida física periodicamente, de forma a nos aperfeiçoarmos e intervir no aprimoramento da sociedade a que pertençamos nessa e noutras encarnações. Mas, note-se, não possuímos várias vidas, mas, sim uma única vida que percorre ciclicamente a esteira da existência, ora habitando o mundo físico e sujeitos ás leis da física, ora habitando o verdadeiro mundo imponderável da espiritualidade, lugar ao qual pertencemos de fato e para onde sempre retornamos. As demais religiões (cristãs e mesmo não cristãs) espiritualistas creem na sobrevivência da alma de maneira dogmática, algumas, crendo que só se vive uma única vez e consideram a morte como a entrada para um mundo de punição ou absolvição – céu/inferno - outras, crendo no sono eterno a espera da “separação” dos bons e dos maus – eleitos e não eleitos por um deus parcimonioso; outras (não cristãs) na reencarnação sucessiva para o alcance da plenitude, mas, de uma plenitude que aniquilaria a individualidade. Sob essa perspectiva, a alma após ter alcançado a depuração somar-se-ia as outras nas mesmas condições e passaria a pertencer a uma única entidade – um Deus formado pela coletividade das almas purificadas.

 

A Doutrina Espírita não é uma religião salvacionista, pois, credita ao esforço individual do espírito a sua salvação. Deus em sua infinita misericórdia e severidade aguarda que possamos por nossos próprios méritos alcançar a plenitude dos propósitos que traçou para nós. Para isso, não intervém em nossas decisões e livre-arbítrio. Somos herdeiros de nós mesmos rumo a um futuro que estamos construindo milimetricamente, por intermédio dos nossos pensamentos e nossas obras no aqui e agora. O fim do mundo, ou o fim dos tempos será sempre para nós, o instante em que deixarmos para traz o casulo ao qual nos mantemos arraigados para nos transformarmos em borboletas, livres e verdadeiramente felizes, compartilhando as esferas celestiais com todos aqueles que chegaram a nossa frente e que nos aguardam sem críticas, ou pressa. Simplesmente, nos aguardam porque sabem que iremos chegar em toda nossa plenitude de filhos diletos de um Deus que nos conhece e nos ama tal como somos.

 

Maria Angela Coelho Mirault

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