A CANÇÃO DA IMORTALIDADE

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A transitoriedade do carro orgânico e Injunção do processo celular, nas suas contínuas transformações.

Envoltório externo de que se utiliza o espírito para o desenvolvimento das divinas potências que nele jazem, encontra-se sujeito a modificações estruturais que culminam na morte biológica.

Ninguém que fuja desse acontecimento inevitável.

Desde o início da vida, no período neonatal, que se organiza e se transforma, num continuum fatalista, programado pelas necessidades de reeducação a que se encontra submetido.

Os influxos de energia organizadora da forma, tonificam-no na proporção em que a mente se encarrega de preservar-lhe a arquitetura biológica ou acelerar-lhe o processo degenerativo.

Sob o comando da consciência, desestrutura-se e reergue-se de acordo com a sucessão e qualidade emocional de ondas mentais que absorve, procedentes, naturalmente, do seu mundo íntimo.

Não é, pois, de estranhar-se que momento chega, no qual a sua marcha é interrompida, em face da lei de entropia, que consome as energias à medida que mantém as atividades.

Morrer, porém, não é aniquilar-se, antes é um fenômeno de transferência de uma para outra dimensão vibratória da vida, conduzindo à origem de onde procede, o espírito que se lhe desaloja.

A permanência, portanto, no corpo, é sempre temporária, embora a vida apresente-se eterna.

Não fosse a incomparável canção da imortalidade e a existência física seria totalmente destituída de significado psicológico e sentido ético-moral.

Uma existência orgânica é sempre muito curta para a aquisição dos tesouros inalienáveis do conhecimento e do amor.

São necessárias várias experiências corporais, a fim de que o Espírito enriqueça-se de sabedoria e auto-ilumine-se, conseguindo a paz plena.

A marcha da evolução, portanto, é contínua, ensejando a investidura carnal e o seu despojamento, a fim de facultar esse desabrochar da essência criativa inerente a todos.

As experiências, pois, na organização fisiológica, propiciam a aquisição da verdade, da realidade, e o acrisolar dos sentimentos, harmonizando-se em um todo único, que enseja amor, criatividade, compaixão, olvido do mal, ternura e todo um arquipélago de valores que sublimam o continente da alma.

Desse modo, a Terra se apresenta como um educandário superior, no qual a aprendizagem é pessoal e intransferível.

Cada conquista incorpora-se ao patrimônio existente, sem que os prejuízos que, por acaso surjam, tenham o poder de anulá-lo.

Nunca se perdem as realizações iluminativas, embora, às vezes, ocorram estacionamentos na marcha do progresso.

A existência, portanto, deve transcorrer de maneira que, em chegando o momento da morte, o processo de liberação do organismo faça-se sem traumas nem alucinações.

Tudo quanto tem vida vegetativa, biológica, fenece, morre, quando terminado o seu ciclo energético.

Assim             considerando, faz-se imprescindível trabalhar-te interiormente, a fim de que o périplo carnal transcorra com equilíbrio e discernimento.

O culto da renúncia às paixões primevas, aquelas que caracterizam o largo período das fases anteriores, constitui dever primacial, no transcurso da educação espiritual, que é prioritária.

A compreensão de que és o responsável pelo próprio destino, far-te-á selecionar as experiências a vivenciar, evitando aquelas de conseqüências nefastas, que te fixarão aos despojos em decomposição por período imprevisível, correspondente àquele em que te demoraste na fruição enlouquecida...

Esse esforço de preparação interior para os enfrentamentos necessários constitui-te motivação para novas aquisições morais, porquanto a senda a percorrer é ilimitada.

Quanto mais consigas lograr, tanto mais anelarás por conseguir novos e abençoados resultados.

Só desse modo, sendo simples e puro de coração, terás um caráter rico de sabedoria - soma de conhecimento e de amor - que te propiciará harmonia em qualquer conjuntura existencial.

Desenvolve a percepção do bem e te inundarás de alegria de viver, e mesmo que te advenha a desencarnação, não te será impedido o prosseguimento da marcha em júbilo inaudito.

A imortalidade é glória da vida. Sucedendo à desarticulação molecular, manifesta-se exuberante em ressurreição triunfante.

Como poderia ter havido a manhã gloriosa do retorno de Jesus ao convívio com os amigos queridos, que ficaram desolados, se, por acaso, não tivesse ocorrido a dura prova da crucificação e da Sua morte no madeiro de infâmia que Lhe foi imposto?

Seu exemplo é o atestado eloqüente e de sabor insuperável, acenando alegria para todos quantos se desincumbam dos compromissos que lhes dizem respeito.

Ama, quanto possas, transformando a existência em formoso hino de bênçãos.

Serve sem cessar, enriquecendo-te de generosidade, com a certeza de que a glória da vida física é alcançada quando se consegue construir a felicidade em torno dos passos.

Compadece-te do sofrimento onde e em quem se expresse, inclusive envolvendo-te em misericórdia para contigo próprio.

Viverás livre de quaisquer impedimentos após a inevitável paralisia dos órgãos e sua imediata transformação, obedecendo às leis universais.

 

*

Diante do afeto que rompeu a barreira carnal, no rumo da imortalidade, através da desencarnação, confia e aguarda o reencontro ditoso, logo mais, quando também seguires além...

Não o lamentes, porque te antecedeu no retorno à Pátria, tampouco te lastimes, porque ficaste.

Chegará o teu dia, cabendo-te a preparação desde agora para o cometimento libertador.

Envolve-lhe a memória em ternura, gratidão e amor, certo de que lhe chegarão os teus pensamentos repassados de afeto e de saudades...

... E quando soar o teu momento de regresso ao Grande Lar, os seres queridos te receberão em júbilos, entoando a gloriosa canção da imortalidade.  

Joanna de Ângelis

 

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 26 de julho de 2006, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)

 

Fonte: Revista Presença Espírita, de Nov/Dez 2006, Ano XXXII, Nº 257

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