QUEM ÉS TU, OH CARNAVAL?

Compartilhar

1. Introdução.

Na sexta-feira, no fim do horário comercial do dia primeiro de fevereiro, propusemos um debate com os integrantes de nossa lista sobre o carnaval, essa festa pitoresca que faz “ferver” o Brasil todo ano e que recebe cobertura maciça da mídia e amplo incentivo por parte dos governantes.

As questões propostas foram:

– Quais as origens deste costume tão disseminado em nossa sociedade?

– Qual a visão do Espiritismo ou, pelo menos, de setores do Movimento Espírita sobre esta festa tão popular?

– É lícito ao religioso, independente deste ou daquele rótulo, participar dessa festa?

– Que reflexos – positivos ou negativos – ela pode trazer para cada um de nós, ou para a coletividade?

Nosso objetivo foi, com a presente iniciativa, convidar os internautas a uma reflexão direta sobre o tema, por meio do debate elevado, sem nenhum pré-julgamento, sem nenhuma atitude religiosa proselitista ou preconceituosa, com muito respeito às opiniões alheias.

Além desse propósito, o desafio lançado foi produzir um texto, com base nas opiniões emitidas pelos interessados, que seria veiculado na Internet, após o encerramento do feriado carnavalesco.

Tivemos a participação direta de 16 (dezesseis) pessoas e de várias outras que preferiram ficar no anonimato, mas que acompanharam avidamente os debates, tecendo elogios às opiniões dos debatedores.

Em cumprimento à nossa proposição inicial, segue o resultado desse trabalho coletivo, que esperamos seja útil, de alguma forma.

A avaliação dos debates, bem como as críticas às imperfeições deste trabalho e as sugestões, com vistas ao aprimoramento do texto, podem ser veiculadas pelo mesmo meio que utilizamos para os debates, as quais serão compiladas, em momento posterior, ainda não definido, para a apreciação geral.

 

2. Conceito e origens do Carnaval.

Os dicionaristas definem o carnaval como sendo o período de três ou mais dias anteriores à quarta-feira de cinzas, reservado pelo calendário às festas coletivas populares.

Não há um consenso entre os historiadores sobre a origem precisa e o local onde nasceu esse costume. Acredita-se que o carnaval tenha a mesma idade do homem e que tenha resistido à ação do tempo, por meio da tradição oral. Sabe-se que há cerca de dez mil anos antes de Cristo, homens e mulheres, ainda presos aos mitos politeístas e às superstições, entregavam-se a rituais coletivos orgíacos, pintando seus rostos e corpos, dançando, comendo e bebendo, em celebração ao ressurgimento da primavera.

Com o passar do tempo, o Carnaval foi sofrendo alterações e variações, conforme a região e a cultura de cada povo, mas sempre conservando a característica de festa profana, marcada por eventos populares e em manifestações sincréticas oriundas de ritos e costumes pagãos, que se caracterizam pela alegria desabrida, pela eliminação da repressão e da censura, pela liberdade de atitudes e críticas eróticas.

Sabe-se, ainda, que os Egípcios festejavam o culto à deusa Ísis, há cerca de dois mil anos antes de Cristo e que em Roma realizavam-se danças em homenagem ao deus Pã (as chamadas Lupercais) e ao deus Baco (Dionísio, para os gregos), que ficaram conhecidos como Rituais Dionisíacos ou Bacanais, em que se praticavam abusos de toda ordem.

Segundo contam outros historiadores,

 “No início da Era Cristã, a Igreja deu nova orientação a essas festividades, punindo severamente os abusos. Entretanto, se o Catolicismo não adotou o Carnaval, suportou-o com certa tolerância, já que a fixação do período momesmo gira em torno de datas predeterminadas pela própria Igreja. Tudo indica que foi nesse período que se deu a anexação ao calendário religioso, pois o carnaval antecede a Quaresma. É uma festa de características pagãs que termina em penitência, na dor de quarta-feira de cinzas.

Originariamente, os cristãos começavam as comemorações do carnaval em 25 de dezembro, compreendendo os festejos de Natal, do Ano Novo e de Reis, onde predominavam jogos e disfarces. Na Gália, tantos foram os excessos que Roma o proibiu por muito tempo. O papa Paulo II, no século XV, foi um dos mais tolerantes, permitindo que se realizassem comemorações na Via Lata, rua próxima ao seu palácio. Já no carnaval romano, viam-se corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos, brigas de confetes, corridas de corcundas, lançamentos de ovos e outros divertimentos.

O baile de máscaras, introduzido pelo papa Paulo II, adquiriu força nos séculos XV e XVI, por influência da Commedia dell’Arte. Eram sucesso na Corte de Carlos VI. Ironicamente, esse rei foi assassinado numa dessas festas fantasiado de urso. As máscaras também eram confeccionadas para as festas religiosas como a Epifania (Dia de Reis). Em Veneza e Florença, no Século XVIII, as damas elegantes da nobreza utilizavam-na como instrumento de sedução.

Na França, o carnaval resistiu até mesmo à Revolução Francesa e voltou a renascer com vigor na época do Romantismo, entre 1830 e 1850.

Manifestação artística onde prevalecia a ordem e a elegância, com seus bailes e desfiles alegóricos, o carnaval europeu iria desaparecer aos poucos na Europa, em fins do Século XIX e começo do século XX.

Há que se registrar, entretanto, que as tradições momescas ainda mantêm-se vivas em algumas cidades européias, como Nice, Veneza e Munique.”[i]

Alguns estudiosos levantam a tese, duvidosa por todos os títulos, segundo o que sabemos, de que o carnaval teria o condão de aliviar nossas tensões, servindo mesmo de catarse coletiva para liberar nossas angústias e frustrações, funcionando como uma trégua, um “alívio da hipocrisia social e do medo do corpo”, na visão materialista dos filósofos Mikhail Bakhtin e Friedrich Nietzsche.[ii]

 

3. Origem da palavra “carnaval”.

Tal como a origem desse costume, a palavra “carnaval” tem sido objeto de controvérsias. Para uns, o vocábulo teria raízes na expressão latina “carrum novalis” (carro naval), uma espécie de veículo alegórico parecido com um navio ou barco, com o qual os romanos inauguravam suas festas. Para outros, o termo nasceu da expressão também latina “carnem levare”, que, a partir dos séculos XI e XII, ter-se-ia modificado para “carne, vale” (adeus, carne), representativa da quarta-feira de cinzas, em que se suprimia a carne devido à quaresma.

O Espírito Manoel Philomeno de Miranda, utilizando-se da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, registra interessantes apontamentos sobre o carnaval, no livro Nas Fronteiras da Loucura, inclusive sobre a origem do termo. Ei-los:

“Grande, expressiva faixa da humanidade terrena transita entre os limites do instintoe os pródromos da razão, mais sequiosos de sensações do que ansiosos pelas emoções superiores. Natural que se permitam, nestes dias, os excessos que reprimem por todo o ano, sintonizados com as Entidades que lhes são afins. É de lamentar, porém, que muitos se apresentam, nos dias normais, como discípulos de Jesus, preferindo, agora, Baco e os seus assessores de orgia ao Amigo Afetuoso...

Perdendo-se nos períodos mais recuados, as origens do carnaval podem ser encontradas nas bacanalia, da Grécia, quando era homenageado o deus Dionísio. Anteriormente, os trácios entregavam-se aos prazeres coletivos, como quase todos os povos antigos. Mais tarde, apresentavam-se estas festas, em Roma, como saturnalia, quando se imolava uma vítima humana, adrede escolhida, no seu infeliz caráter pagão. Depois, na Idade Média, aceitava-se com naturalidade: Uma vez por ano é lícito enlouquecer, tomando corpo, nos tempos modernos, em três ou mais dias de loucura, sob a denominação, antes, de tríduo momesco, em homenagem ao rei da alegria...

Há estudiosos do comportamento e da psique, sinceramente convencidos da necessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que a CARne NAda VALe, cuja primeira sílaba de cada palavra compôs o verbete carnaval.

Sem dúvida, porém, a festa é o vestígio da barbárie e do primitivismo ainda reinantes, e que um dia desaparecerão da Terra, quando a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real substituírem as paixões do prazer violento e o homem houver despertado para a beleza, a arte, sem agressão nem promiscuidade.”[iii]

 

4. O carnaval no Brasil.

Possivelmente, graças à sua diversidade racial e cultural, bem como ao clima dos trópicos, o carnaval encontrou grande receptividade entre o povo brasileiro, gente, na média, de temperamento alegre, extrovertido e criativo. Como diriam Gilberto Freire, autor de “Casa Grande e Senzala”, e outros estudiosos de nossas origens: somos o produto da fusão bio-psíquica, ainda em consolidação, de 4 (quatro) raças básicas: índios, negros, amarelos e brancos.

Sobre as raízes do nosso carnaval, recorro, aleatoriametne, a alguns suprimentos de Maria Isaura Pereira de Queirós, autora do livro “Carnaval Brasileiro – O vivido e o mito”, editado pela Brasiliense, reportados em portal eletrônico:[iv]

“Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia. Como afirma a autora Maria Isaura Pereira de Queirós, a comemoração carnavalesca data do início da colonização, sendo uma herança do ENTRUDO português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos mais tarde, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade.

Foi, portanto, graças a Portugal que o ENTRUDO desembarcou na cidade do Rio de Janeiro em 1641. O termo, derivado do latim ‘introitus’ significava “entrada”, “começo”, nome com o qual a Igreja denominava o começo das solenidades da Quaresma. No entanto, segundo a mesma autora, as festividades do ENTRUDO já existiam bem antes do Cristianismo, eram comemoradas na mesma época do ano e serviam para celebrar o início da primavera. Com o advento da Era Cristã e a supremacia da Igreja Católica, passou a fazer parte do calendário religioso, indo do Sábado Gordo à Quarta-Feira de Cinzas.

        Tanto em Portugal, como no Brasil, o carnaval não se assemelhava de forma alguma aos festejos da Itália Renascentista; era uma brincadeira de rua muitas vezes violenta, onde se cometia todo tipo de abusos e atrocidades. Era comum os escravos molharem-se uns aos outros, usando ovos, farinha de trigo, polvilho, cal, goma , laranja podre, restos de comida, enquanto as famílias brancas divertiam-se em suas casas derramando baldes de água suja em passantes desavisados, ‘num clima de quebra consentida de extrema rigidez da família patriarcal’.

        Foi esse carnaval mais ou menos selvagem que desembarcou no Brasil com as primeiras caravelas portuguesas e os primeiros foliões.

        Com o passar do tempo e devido a insistentes protestos, o ENTRUDO civilizou-se, adquiriu maior graça e leveza, substituindo as substâncias nitidamente grosseiras por outras menos comprometedoras, como os limões de cheiro (pequenas esferas de cera cheias de água perfumada) ou como os frascos de borracha ou bisnagas cheias de vinho, vinagre ou groselha. Estas últimas foram as precursoras dos lança-perfumes introduzidos em 1885.

        No tocante à música, tudo ainda era muito precário; o entrudo não possuía um ritmo ou melodia que o simbolizasse. Apenas a partir da primeira metade do século XIX, com a chegada dos bailes de máscaras nos moldes europeus, foi que se pôde notar um desenvolvimento musical mais sofisticado.”

As principais figuras carnavalescas também foram importadas da Europa pelo Brasil Colonial. Muitas das antigas músicas de nosso carnaval, entre elas as marchinhas ingênuas, foram inspiradas nos costumes trazidos do Velho Mundo, apimentados com os personagens carnavalescos, entre eles a Colombina, o Arlequim, o Pierrô e o Momo.

Quem, da velha geração, não se lembra das marchinhas antigas, muitas delas ainda tocadas, embora raramente, nos dias de hoje, em salões: “Abre Alas” (oh abre alas que eu quero passar...), de Chiquinha Gonzaga (1899); “A Jardineira” (Oh jardineira por que estás tão triste...), de Benedito Lacerda e Humberto Porto (1938); “Aurora” (Se você fosse sincera...), de Mário Lago e Roberto Roberti (1940); “Cachaça” (Se você pensa que cachaça é água...), de Mirabeau Pinheiro, Lúcio de Castro, Heber Lobato (1953); entre tantas outras?

Ainda de acordo com o site mencionado,

“Colombina – como Pierrô e Arlequim, é um personagem da Comédia Italiana, uma companhia de atores que se instalou na França entre os séculos XVI e XVIII para difundir a Commedia dell'Arte, forma teatral original com tipos regionais e textos improvisados. Colombina era uma criada de quarto esperta, sedutora e volúvel, amante do Arlequim, às vezes vestia-se como arlequineta, em trajes de cores variadas, como os de seu amante.

Arlequim – Rival de Pierrô pelo amor de Colombina, usava traje feito a partir de retalhos triangulares de várias cores. Representa o palhaço, o farsante, o cômico.

Pierrô – Personagem sentimental, tem como uma de suas principais características a ingenuidade.

Momo - Personagem que personifica o carnaval brasileiro. Sua figura foi inspirada no Bufo, ator de proveniência portuguesa que representava pequenas comédias teatrais que tanto divertiam os nobres.”

(...)

E VIVA O ZÉ PEREIRA

        Em 1846, houve um acontecimento que revolucionou o carnaval carioca: o aparecimento do "Zé Pereira" (tocador de bumbo). Para alguns estudiosos, esse era o nome ou apelido dado ao cidadão português José Nogueira de Azevedo Paredes, supostamente o introdutor no Brasil do hábito português de animar a folia carnavalesca ao som de bumbos, zabumbas e tambores, anarquicamente tocados pelas ruas.

(...)

O CARNAVAL NOS ESTADOS BRASILEIROS

   Bahia        Em Salvador, o carnaval começa efetivamente em dezembro, com a abertura dos festejos pela festa da Conceição da Praia. São celebrações que remetem umas às outras, adquirindo sempre, ao final, um estatuto carnavalesco.

        A grande atração do carnaval baiano são os trios elétricos: músicos que percorrem as ruas em cima de caminhões equipados com potentes alto-falantes executando sucessos carnavalescos para o povo dançar. Ao que tudo indica, o trio elétrico surgiu em 1950, com Dodô e Osmar.

        Pernambuco
        Já em Pernambuco, destaca-se outro grande carnaval brasileiro, o de Olinda e de Recife. É desse Estado que surgiu um dos ritmos mais alucinantes da festa momesca: o envolvente e contagiante frevo. ‘E a multidão dançando, fica a 'ferver'...’ Daí o surgimento da palavra ‘frevo’.

Paralelamente, existe o maracatu, cortejo de origem africana, altamente expressivo. O berço dos maracatus foram as senzalas, quando os negros prestavam homenagem aos seus antigos reis africanos. Mesmo com o fim da escravidão, os cortejos continuaram. Daí o maracatu ganhou as ruas, tornando-se uma das peças essenciais do carnaval pernambucano.

  São Paulo

  Em São Paulo, o carnaval, que era uma festa restrita aos salões, começou a ser praticado nas ruas, atendendo às influências das escolas de samba do Rio de Janeiro, e repete o estilo das grandes escolas cariocas, enfatizando o luxo das fantasias e alegorias.

Outros estados

Nos outros Estados, geralmente aparecem traços peculiares, maneiras diferentes de celebrar a folia momesca. Mas a grande tendência registrada no Brasil inteiro é a do carnaval se homogeneizar segundo a fórmula carioca: de um lado, o carnaval de salão (luxuoso ou popular); do outro, o desfile das escolas de samba. Assim, o carnaval vai se transformando num ritual padronizado em todo o país.”

Pessoalmente, acredito que os meios de comunicação, com destaque para a televisão, que dão cobertura maciça ao carnaval carioca, têm contribuído sobremaneira para a padronização do Carnaval em outros estados.

 

5. Como se determina a data do carnaval?

A flexibilidade da data do carnaval igualmente tem raízes históricas:

 “O Carnaval Cristão passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C. Antes, a instituição condenava a festa por seu caráter ‘pecaminoso’. No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída. Não era mais possível proibir o Carnaval. Foi então que houve a imposição de cerimônias oficiais sérias para conter a libertinagem. Mas esse tipo de festa batia de frente com a principal característica do Carnaval: o riso, a brincadeira...

É só em 1545, no Concílio de Trento, que o Carnaval é reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transforma o Calendário Juliano em Gregoriano e estabelece as datas do Carnaval. O motivo da mobilidade da data é não coincidir com a Páscoa Católica, que não pode ter data fixa para não coincidir com a Páscoa dos judeus.

O cálculo é um pouco complexo. Determina-se o equinócio da primavera, que ocorre entre os dias 21 e 22 de março no hemisfério norte. Observando a lua nova que antecede o equinócio, o primeiro domingo após o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março, é entre 08 de março e 05 de abril, a Páscoa só pode ser entre 22 de março e 25 de abril. O domingo de carnaval é sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa.”[v]

A seu turno, a Revista Veja, de 9 de fevereiro de 2005, p. 90, assim explica a variação de datas do carnaval:

“O carnaval acontece sete semanas antes da Páscoa, que por sua vez ocorre no domingo seguinte à primeira lua cheia posterior ao equinócio do outono. Equinócio é o nome dado à data em que o dia e a noite têm exatamente a mesma duração (neste ano, 20 de março). Embora de origem pagã, o Carnaval sempre foi tolerado pela Igreja Católica, que adotou essa forma de determinar sua data nos primórdios do cristianismo. Antes disso, havia Carnavais em datas que variavam entre dezembro e janeiro, conforme o costume de cada povo. Nos anos em que a festa acontece no início de fevereiro, caso de 2005 e de 2008, por exemplo, as escolas de samba queixam-se da perda de milhões de reais, porque realizam menor quantidade de ensaios – mas não há discussão sobe fixar uma data para a festa.”

Ao pesquisar sobre o carnaval, nos damos conta de que, mesmo sem sermos psicólogos, estamos estudando um aspecto psíquico muito importante da coletividade humana. Apesar de sua ancianidade, vemo-la, ainda, desabrochando da infância espiritual, como que cursando as primeiras linhas do alfabeto divino, o que nos remete à opinião, calorosamente acolhida, do debatedor Alfredo:

 “Eu creio que a nossa posição não deve ser a de condenar ou apoiar o carnaval. Temos que simplesmente considerá-lo um fato e coexistir da melhor maneira possível, sem cogitar de fazer cruzadas moralizantes...”

Percebemos que tudo tem a sua razão de ser, na vida. Isso não quer dizer que compactuamos com os equívocos praticados por aqueles que se excedem, em nome da alegria franca.

– Será que essa alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza?perguntou a escritora Fernanda Young, na contribuição oportuníssima da Amiga Isaura Kaufman, do Rio de Janeiro.

 

6. Visão espírita do carnaval.

Como vimos, durante nossos debates, a Doutrina Espírita tem por objetivo libertar as massas, os seres humanos, de seus atavismos milenares, para que se auto-descubram realmente como filhos de Deus, rumo à emancipação intelecto-moral, que conduz à paz de consciência e à felicidade sem jaça, vitória que só pode ser conquistada no decorrer dos milênios, nas sucessivas encarnações, pelo esforço próprio, por meio do estudo, do trabalho em favor do próximo e pela prática da Caridade, que consiste na “benevolência para com todos, na indulgência para com as imperfeições dos outros e no perdão das ofensas”(Questão 886 de O Livro dos Espíritos).

Especificamente sobre a posição que nós espíritas devemos ter ante o carnaval, o debatedor Antonio Lacerda foi bastante incisivo, ao afirmar:

“O Espiritismo é uma doutrina de caráter universalista, que nos ajuda a entender a nossa própria realidade existencial e nos dá as respostas de que necessitamos para que possamos trabalhar na conquista do progresso espiritual e da felicidade. Como é uma Doutrina de origem segura e calcada na mais transparente racionalidade, ela gradativamente nos conquista através de um convencimento que é fruto de nosso próprio trabalho. Ela jamais se impõe e, por via de consequência, não faz parte do seu contexto doutrinário qualquer espécie de proibição.

Todavia, dos seus ensinamentos, que são de uma clareza inquestionável, ao mesmo tempo que totalmente destituídos da pretensão de ofertas de benesses ou facilidades, uma das características mais essenciais que dos mesmos ressalta, é o princípio da responsabilidade individual.

É fundamental que o principiante espírita tenha isto em mente, para que possa quebrar as algemas do atavismo milenar, essa herança que todos nós colhemos sob a liderança da ortodoxia religiosa.

É esta, salvo melhor juízo, a interpretação mais acurada da máxima evangélica que nos diz: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".

O Espiritismo, que tem como um de seus postulados principais o livre-arbítrio, como também lembrou a debatedora Izildinha [que é de Campo Grande, e não de Curitiba], esclarece, aponta o caminho, conscientizando-nos – Espíritos que também somos – dos perigos, das ciladas e das ilusões da vida na carne, cujo estágio é imprescindível ao nosso progresso, ao despertamento de nossa “polaridade-luz”, termo utilizado pelo psicólogo clínico, João Batista Paiva, debatedor da primeira hora, para quem o carnaval, em face do raciocínio expendido, é “uma fonte de intenso prazer”, vinculado à natureza animal do homem.

O adepto espírita consciente deve lutar, constantemente, pelo seu aprimoramento individual, buscando, antes de tudo, aplicar a si mesmo o que aprendeu, sem atitudes arrogantes ou pretensiosas de converter o outro. Melhorando a si mesmo, vive como homem ou mulher do mundo, sem se isolar da sociedade, influenciando pelo seu exemplo os núcleos sociais que frequenta, seja em família, no trabalho, no trânsito, no templo ou em qualquer lugar, como bem concluiu a debatedora Maria Ângela, ao dizer:

“Ora, pois, cuidemos nós de nosso progresso evolutivo serenamente de dentro para fora, sejamos nós a luz onde pudermos e como pudermos ser, aqui mesmo, tal como já nos recomendou Kardec, ‘no mundo’ e na cultura em que estamos, procurando entendê-lo, não pré-julgá-lo, como se fôssemos seres acima do bem e do mal.

Somos o que somos, estamos como estamos e o despojamento dos entulhos que ocultam nossas virtudes divinas é tarefa individual e intransferível no Carnaval ou em qualquer situação.”

E, como não poderia ser diferente, todo aquele que vive como homem ou mulher do mundo, independente da escola religiosa que abrace, ou ainda que não professe nenhuma, está sujeito às leis naturais, entre as quais encontramos os gozos espirituais e os gozos materiais, os quais são graduados conforme o estágio evolutivo de cada um. Tanto o prazer como a dor são contingências da vida que todos experimentamos, de forma instintiva, em nosso constante aprendizado, Espíritos imortais que somos.

Provavelmente, a espécie humana não se perpetuaria, se não houvesse, por exemplo, prazer na alimentação ou na prática sexual. Se não experimentasse a dor, certamente destruiria seus órgãos físicos de manifestação, muito mais rapidamente.

Quanto aos gozos espirituais, eles são ilimitados e, devido à nossa condição ainda semi-animal, nem ao menos fazemos idéia das venturas que nos esperam. Uma pálida ideia podemos ter deles a partir da satisfação que sentimos, quando, por exemplo, conseguimos auxiliar uma pessoa em dificuldades, produzir um trabalho manual ou intelectual de qualidade, escrever um livro edificante, aprender a amar uma pessoa difícil com quem convivemos...

Consultando O Livro dos Espíritos, fomos conferir o que os Imortais disseram a Kardec sobre este magno assunto, e encontramos, nas perguntas 711 a 714, as seguintes explicações:

Q. 711 – O uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens?

R – Esse direito é consequente da necessidade de viver. Deus não imporia um dever sem dar ao homem os meios de cumpri-lo.

Q. 712 – Com que fim Deus pôs atrativos no gozo dos bens materiais?

R – Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e para experimentá-lo por meio da tentação.

Q. 712-A – Qual o objetivo dessa tentação?

R – Desenvolver a razão, que deve preservá-lo dos excessos.

Q. 713 – Traçou a natureza limites aos gozos?

R – Traçou, para vos indicar o limite do necessário. Mas, pelos vossos excessos, chegais à saciedade e vos punis a vós mesmos.

Q. 714 – Que se deve pensar do homem que procura nos excessos de todo o gênero o requinte dos gozos?

R – Pobre criatura! Mais digna é de lástima que de inveja, pois bem perto está da morte!

Q. 714-A – Perto da morte física ou da morte moral?

R – De ambas.

O carnaval, como tantos outros divertimentos, entre eles o esporte, com destaque para o futebol, que igualmente tão bem caiu no gosto do brasileiro, é uma dessas fontes de prazer ou gozo material, com a diferença de que, levados a excesso, como qualquer outra atividade, pode trazer consequências nocivas, da mesma forma que, na ânsia de obter gozos espirituais, o profitente pode cair no fanatismo pernicioso.

Felizmente, a loucura generalizada que grassa em alguns arraiais humanos, derivada desses tipos de comportamento, é praticada por uma minoria, o que denota que estamos deixando para trás a herança atávica dos instintos ainda muito fortes, possivelmente originários das eras remotas em que estagiamos nos reinos inferiores da criação, como aventou o confrade Alexandre Fonseca, inspirado nas lições do Espírito André Luiz, tese que encontra ressonância no ensinamento de outros Espíritos Superiores:

“Vivemos, então, nossas lutas diárias rumo ao nosso progresso moral e intelectual. Nessas lutas, manifestamos ainda a ilusão que o egoísmo nos confere de que a felicidade está na satisfação pura e simplesmente de toda e qualquer sensação de prazer”.

Como diria o filósofo Pastorino, em seu opúsculo Minutos de Sabedoria,[vi] precisamos anular o monstro Centauro, metade homem, metade cavalo, figura mística da milologia, que ainda vive em nós, vencendo e dominando a parte inferior e animal de nosso ser, para que apareça e sobressaia, apenas, a parte superior, inteligente e nobre.

 

7. Estatísticas preocupantes.

Por que será que, durante o período de carnaval, os acidentes de trânsito, os crimes, enfim, a violência, aumentam em relação às outras épocas do ano?

Para responder a essa pergunta, valho-me de alguns trechos das ponderações do Espírito Emmanuel, que, em ditado ao médium Francisco Cândido Xavier, disse:

“Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios apreciáveis do processo espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros Espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.

Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e às vezes toda uma existência não basta para realizar os reparos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.”

O portal [www.momento.com.br], inspirado na obra “Nas Fronteiras da Loucura”, psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, aprofunda o ensinamento, esclarecendo:

“Esse é o lado [alegre] da festa que podemos observar deste lado da vida. Mas há outro lado dessa festa tão disputada: o lado espiritual.

Narram os Espíritos superiores que a realidade do carnaval, observada do além, é muito diferente e lamentavelmente mais triste. Multidões de Espíritos infelizes também invadem as avenidas num triste espetáculo de grandes proporções. Malfeitores das trevas se vinculam aos foliões pelos fios invisíveis do pensamento, em razão das preferências que trazem no mundo íntimo.

A sintonia, no Universo, como a gravitação, é lei da vida. Vive-se no lugar e com quem se deseja psiquicamente. Há um intercâmbio vibratório em todos e em tudo.

E essa sintonia se dá pelos desejos e tendências acalentados na intimidade do ser e não de acordo com a embalagem exterior.

E é graças a essa lei de afinidade que os espíritos das trevas se vinculam aos foliões descuidados, induzindo-os a orgias deprimentes e atitudes grotescas de lamentáveis consequências.

Espíritos infelizes se aproveitam da onda de loucura que toma conta das mentes, para concretizar vinganças cruéis planejadas há muito tempo.

Tramas macabras são arquitetadas no além túmulo e levadas a efeito nesses dias em que Momo reina soberano sobre as criaturas que se permitem cair na folia.

Nem mesmo as crianças são poupadas ao triste espetáculo, quando esses foliões das sombras surgem para festejar Momo.

Quantos crimes acontecem nesses dias... quantos acidentes, quanta loucura...

Enquanto nossos olhos percebem o brilho dos refletores e das lantejoulas nas avenidas iluminadas, a visão dos espíritos contempla o ambiente espiritual envolto em densas e escuras nuvens criadas pelas vibrações de baixo teor.

E as consequências desse grotesco espetáculo se fazem sentir por longo prazo. Nos abortos realizados alguns meses depois, fruto de envolvimentos levianos. Nas separações de casais que já não se suportam mais depois das sensações vividas sob o calor da festa, no desespero de muitos, depois que cai a máscara...

Por todas essas razões vale a pena pensar se tudo isso é válido. Se vale a pena pagar o alto preço exigido por alguns dias de loucura.

Os noticiários estarão divulgando, durante e após o carnaval, a triste estatística de horrores, e esperamos que você não faça parte dela.”

Alguns poderiam questionar se há consequências positivas decorrentes do carnaval. Embora não faça apologia dessa festividade, respondo, afirmativamente, sobretudo no aspecto material, especificamente no que toca à geração de empregos, ao turismo, etc., o que, inegavelmente, traz “lucros” econômico-sócio-culturais.

Mesmo no aspecto moral, é possível aprender coisas úteis, em virtude da influência desse costume, sobretudo quando se tem o coração limpo, a mente arejada, até mesmo porque “o pecado está na consciência” (Romanos, 14:14), como demonstrou, implicitamente, a debatedora Terezinha Bergo, inclusive lembrando que, no futuro, todos faremos brilhar a nossa luz, de outra forma, “quando este mundo estiver mais evoluído”.

Todavia, nunca é demais estarmos vigilantes quanto ao saldo efetivo dessa contabilidade moral, evitando que sejamos manobra de massa inconsciente de forças inferiores visíveis e invisíveis, idéia que nos vem à mente, em vista da frase utilizada pelo debatedor Wagner Leão, ao opinar que “o carnaval é a revivescência das festas primitivas, que eram patrocinadas pelo Governo Romano, que oferecia ‘pão e circo’ ao povo”.

 Como lembrou a debatedora Eliete, “a quantidade de recursos financeiros e as energias físicas e mentais canalizadas para essa festa poderiam ser melhor direcionadas para a construção de escolas, orfanatos, hospitais. Infelizmente, a maioria ainda pensa que a felicidade advém de fatos exteriores. Só nos resta orar para que cada um de nós faça a sua parte e construa o mais rápido possível o Reino de Deus dentro de nós”.

O fato é que, mesmo quando abusamos dos gozos materiais, acabamos aprendendo alguma coisa, embora pagando um preço indesejável, que nos pode custar anos, décadas ou séculos para reparar, em virtude da lei de causa e efeito estudada pelo Espiritismo.

Portanto, não nos compete violentar consciência alguma. Como disse o debatedor Emerson Odilon Sandim: “Amar sempre é o nosso lema”.

 

8. Conclusão.

Por tudo que vimos, o carnaval, como manifestação cultural vinculada aos atavismos humanos, está profundamente entranhado na alma de muitos brasileiros, razão pela qual concluo, de minha parte, que esse costume “não sairá de moda” tão facilmente, o que já ocorreu em outros países, e não serão sermões moralistas nem proibições sem fundamento que impedirão as pessoas de continuar mantendo estes hábitos.

O que podemos fazer a respeito, sejamos ou não cristãos, profitentes desse ou daquele segmento religioso? Elevarmo-nos em educação e em moral, para que influenciemos, positivamente, os que nos cercam, sublimando, cada vez mais, todas as manifestações culturais e sociais, inclusive o carnaval, para que, no futuro, seu nome não esteja associado à “apoteose da prostituição, da embriaguez e do descaramento”, como a ele se referiu o escritor Olavo Bilac, em 1890, conforme nota extraída do ensaio de Roberto Pompeu de Toledo, publicado na última pagina da Revista VEJA, de 6.2.2008, que tão gentilmente a Claudinha nos enviou, preocupada com os aspectos históricos e culturais do tema.

Portanto, há esperança para todos! Aos mais pessimistas, vale aqui relembrar um pequeno trecho da lenda da “maçã podre”, contada pelo Espírito Humberto de Campos:

¾"Enganai-vos, meu amigo!... Poderemos renovar a nossa vida, como essa fruta poderá vir, mais tarde, a ser nova e bela. Tomemos as sementes desta maçã condenada e deitemo-las, de novo, no seio da terra generosa. Cultivemos os seus rebentos com cuidado e amor e, sob o amparo do tempo, o nosso esforço vê-la-á multiplicada em novas maçãs frescas e formosas!... Façamos assim também com o nosso povo. Busquemos semear na ala das gerações florescentes os princípios sagrados de nossas tradições e dos nossos hábitos e, mais tarde, toda podridão terá passado na esteira do Tempo, para caminharmos pelo futuro adentro com a pureza do nosso idealismo!..”

A diversidade cultural e racial brasileira, essa mistura de pessoas tão diferentes, a bem da verdade, é altamente benéfica à nossa coletividade, porque muito temos aprendido uns com os outros e mais ainda podemos aprender e construir pelo nosso futuro.

O que mais impressiona os estrangeiros, sobretudo os estudiosos de nosso pais, os chamados “brasilianistas”, é a facilidade com que temos de tolerar e de coexistir com tantas diferenças, sobretudo no aspecto religioso. Mais do que pela nossa extensão territorial e pelas riquezas naturais, nosso trunfo para um futuro melhor está nessa virtude coletiva, no saldo dessa mistura de raças impressionante, a caminho de uma identidade cultural definitiva, em termos relativos, caldo cultural que provavelmente seja o motivo de tanta criatividade entre nós.

Espíritos imortais, originários de muitas plagas, dos rincões mais distantes de todas as partes do mundo, abrigando todas as tendências e graus evolutivos, numa diversidade incrível, nós, agora brasileiros, fomos reunidos no continente sul-americano, na presente encarnação, para resgatarmos nossos erros do passado, para progredirmos e fazer frutificar a Árvore do Evangelho, aqui transplantada da Palestina, pelo ideal dos Espíritos Superiores, como reportado na obra “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, do Espírito Humberto de Campos, editado pela FEB, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Não sem razão, e com grande lucidez, o debatedor Nelson Peixoto afirmou que

 “O Espiritismo está entre nós como o fermento que leveda a massa, facultando a cada criatura seu despertar para a verdade de Deus, nosso Pai. Não impondo padrões, nem formas exteriores, mas, essencialmente, condições morais internas e emocionais que cada um realiza no seu tempo e no seu entendimento espiritual”.

 

9. Peroração.

Quem és tu, oh Carnaval?

“Para mim? Carnaval, desengano. Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de que você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, que nunca viu um dia de trabalho na vida.

(...)

Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão, que se acha um rei, mas não manda em nada.

(..)

Será que essa sua alegria toda não e para esconder alguma profunda tristeza? Será que você canta para não chorar?Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto. Ora, chega dessa loucura. Reconheça que você se esconde atrás de uma dupla personalidade.

Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo. Conheço várias que fogem, querendo distância de suas brincadeiras. Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo, diante das coisas, sabia?”[vii]

Encerramos este singelo e um tanto longo artigo, construído a partir da colaboração de nossos internautas, com as palavras proféticas de Humberto de Campos, Espírito, o qual nos convida à prática da FÉ OPERANTE, na introdução do livro, editado pela FEB, “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, psicografado por Francisco Cândido Xavier:

“Brasileiros, ensarilhemos, para sempre, as armas homicidas das revoluções!... Consideremos o valor espiritual do nosso grande destino! Engrandeçamos a pátria no cumprimento do dever pela ordem, e traduzamos a nossa dedicação mediante o trabalho honesto pela sua grandeza! Consideremos, acima de tudo, que todas as suas realizações hão de merecer a luminosa sanção de Jesus, antes de se fixarem nos bastidores do poder transitório e precário dos homens! Nos dias de provação, como nas horas de venturas, estejamos irmanados numa doce aliança de fraternidade e paz indestrutível, dentro da qual deveremos esperar as claridades do futuro.

Não nos compete estacionar, em nenhuma circunstância, e sim marchar, com a EDUCAÇÃO e com a realizadora, ao encontro do Brasil, na sua admirável espiritualidade e na sua grandeza imperecível!”

Queridos Amigos!

Foram dias muito proveitosos esses em nos mantivemos em contato por meio desse instrumento fantástico que é a Internet.

Por tudo que se viu, estou convicto de que todas as perguntas propostas no início de nosso debate foram suficientemente respondidas pelos debatedores, com objetividade, esmero, elevação e bom nível de conhecimento.

Quanto à pergunta do Amigo Horácio [como classificar, segundo a visão do Dr. João Batista, aqueles que não têm simpatia por esse evento profano nem por qualquer manifestação de massa da mesma natureza?], creio que ficou respondida implicitamente. A você, caro leitor, cabe, individualmente, meditar sobre ela.

Encerro, agradecendo a participação de todos, mesmo daqueles que não debateram diretamente, mas que acompanharam a leitura das mensagens, como foi o caso da Amiga Dora Waldow, na certeza de que muito aprendi, preenchendo parte do meu tempo com uma atividade útil e que me fez tanto bem à alma.

Para mim, particularmente, o carnaval nunca mais será o mesmo!

Espero que, de alguma forma, vocês também tenham colhido algum fruto desse intercâmbio salutar de idéias.

Desejo a todos uma excelente semana de trabalho.

Fraternalmente,

Christiano Torchi



Referências:

 

[i]http://br.geocities.com/biografiaschiado/HistoriaCuriosidades/HistoriadoCarnaval/historiadocarnaval.htm

 

[ii]http://liesa.globo.com/por/08-historiadocarnaval/historiadocarnaval-capitulo2/historiadocarnaval-

  capitulo2_principal.htm

 

[iii] Obra citada. 11ª ed. Salvador-BA: Leal, 2002, p. 68-69.

 

[iv] http://br.geocities.com/biografiaschiado/HistoriaCuriosidades/HistoriadoCarnaval/historiadocarnaval.htm

 

[v]http://www.msn.com.br/carnaval/historia/default.asp

 

[vi] Obra citada. 39ª ed. Petrópolis-RJ: Vozes, p. 192.

 

[vii] Fernanda Young, escritora, roteirista e apresentadora de TV.

Avenida Calógeras, 2209 - Centro, Campo Grande - MS, CEP 79004-380
 (67) 3324-3757    99864-3685